A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro deixou a presidência do PL Mulher nesta terça-feira, em meio ao desgaste público com o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência pelo partido. A saída foi comunicada depois de uma conversa com Jair Bolsonaro e de uma reunião com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.
No comunicado, Michelle afirmou que decidiu se afastar para se dedicar aos cuidados do marido e da filha. A nota, porém, não trata de uma eventual desistência de disputar o Senado pelo Distrito Federal, onde ela é cotada para compor a chapa da governadora Celina Leão.
A decisão também encerra o pagamento que Michelle recebia pelo posto no partido. Segundo informações publicadas com base na prestação de contas da legenda ao TSE, o salário era de R$ 33.848,30 mensais, valor próximo ao recebido por Valdemar Costa Neto. Quatro pagamentos já haviam sido registrados, somando R$ 135.393,20.
A crise ganhou força depois que Michelle acusou Flávio de tê-la humilhado durante uma conversa sobre a aliança do PL do Ceará com Ciro Gomes. Ela classificou a postura do senador como uma “punhalada”. Flávio, depois da repercussão, pediu desculpas publicamente e disse que não teve intenção de ofendê-la.
Na sexta-feira anterior, Flávio tentou reduzir o impacto do episódio e afirmou que, de sua parte, o desentendimento era “página virada”. A fala ocorreu durante agenda de pré-campanha em Goiânia. Mesmo assim, a saída de Michelle do comando do PL Mulher mostra que a crise abriu uma ferida política dentro do bolsonarismo.
A ex-primeira-dama era vista como peça importante para aproximar o partido do eleitorado feminino e evangélico. Damares Alves saiu em defesa de Michelle e afirmou que ela “não está jogando a toalha”, dizendo que a ex-primeira-dama deixou uma marca na participação das mulheres na política conservadora.
No fundo, a saída de Michelle não é apenas uma troca administrativa. É um gesto político. Ela deixa o cargo, perde a remuneração partidária e se afasta formalmente da estrutura que ajudava a dar rosto feminino ao PL, justamente no momento em que Flávio tenta consolidar sua pré-candidatura presidencial.
