Foto: Câmara dos Deputados

Coronel Tadeu deve assumir vaga de Carla Zambelli na Câmara após parlamentar deixar o Brasil

Com o afastamento iminente da deputada Carla Zambelli (PL-SP), que anunciou nesta terça-feira (3) que está fora do país e seguirá para a Itália, o segundo suplente de sua coligação, Coronel Tadeu (PL-SP), deve assumir a cadeira na Câmara dos Deputados. Zambelli, condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a dez anos de prisão por participação na invasão do sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), afirmou que pedirá licença do mandato e alegou questões de saúde como justificativa para sua saída.

Em declaração pública, Zambelli afirmou estar fora do país “há alguns dias” e que sua viagem teria como objetivo inicial a continuidade de um tratamento médico. Com a possível formalização de sua licença, o retorno de Coronel Tadeu ao Congresso Nacional se tornaria imediato.

Quem é Coronel Tadeu?

Márcio Tadeu Adhaia de Lemos, conhecido politicamente como Coronel Tadeu, nasceu em São Paulo em 30 de setembro de 1965. De formação militar, construiu sua carreira na Polícia Militar do Estado de São Paulo, onde atuou como comandante de unidades aéreas e instrutor em operações de segurança pública. Também desempenhou funções na aviação civil e em empresas privadas do setor tático.

Coronel Tadeu é bacharel em Direito pela Universidade de São Paulo (USP) e formado em Educação Física pela Escola da PM paulista. Além disso, tem mestrado em Ciências da Segurança Pública. Sua trajetória acadêmica acompanha a ênfase que deu à atuação legislativa voltada à segurança e aos direitos de agentes de Estado.

Eleito deputado federal em 2018, exerceu mandato até 2023, quando não conseguiu votos suficientes para reeleição. Durante sua passagem pela Câmara, foi vice-líder do PL, atuou como suplente em comissões estratégicas como a de Constituição e Justiça, Segurança Pública, e no Conselho de Ética. Também já integrou o União Brasil, antes de retornar ao Partido Liberal.

Zambelli e a condenação no STF

A condenação de Carla Zambelli foi decidida em maio deste ano pela Primeira Turma do STF. A deputada foi considerada culpada pela facilitação do acesso irregular aos sistemas do CNJ, ação executada pelo hacker Walter Delgatti, também condenado. Ambos foram responsabilizados criminalmente e civilmente, sendo obrigados a pagar uma indenização conjunta de R$ 2 milhões.

Além da pena de prisão, Zambelli deve perder o mandato e se tornar inelegível por oito anos. Esse período, entretanto, só passa a contar após o cumprimento total da pena, o que pode mantê-la afastada da vida pública por quase duas décadas.

À imprensa, a deputada afirmou que irá à Itália, país do qual possui cidadania. A condição de cidadã europeia impede a deportação automática. Sua permanência fora do Brasil, no entanto, já é observada com preocupação por ministros do STF, que avaliam eventual decretação de prisão preventiva e até solicitação de inclusão de seu nome na lista de difusão vermelha da Interpol.

 

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