A Prefeitura de Jacareí subiu o tom contra a montadora Caoa Chery e anunciou que poderá iniciar um processo de desapropriação da área onde está instalada a fábrica da empresa, atualmente desativada. A medida seria tomada caso a montadora não apresente, no prazo de 45 dias, um plano concreto de reativação da produção de veículos ou uma alternativa viável que assegure o uso da planta industrial conforme sua finalidade original.
Segundo a gestão do prefeito Celso Florêncio (PL), a montadora foi formalmente notificada duas vezes só em julho — a última notificação foi enviada na segunda-feira (21). Sem retorno, o prefeito afirmou nas redes sociais que tentou manter o diálogo com a empresa, mas, diante do impasse, optará pela via judicial. “Partimos para o litígio”, declarou.
A fábrica da Caoa Chery em Jacareí está desativada desde 2022. A prefeitura sustenta que a montadora descumpriu cláusulas do Memorando de Entendimentos firmado em 2010, incluindo a obrigação de gerar empregos e movimentar a economia local. O terreno foi doado à empresa, e o município ainda investiu R$ 46 milhões em infraestrutura e incentivos fiscais para viabilizar a instalação da planta.
O valor da desapropriação foi estimado em R$ 17,7 milhões, calculado com base na diferença entre os aportes públicos e a avaliação de mercado do complexo, estimado em R$ 63 milhões.
“O que queremos é que a planta cumpra sua função social. Não podemos aceitar que um espaço com esse potencial siga ocioso, enquanto milhares de moradores buscam emprego”, afirmou Florêncio.
Neste ano, parte do terreno foi repassada à Omoda Jaecoo, outra montadora chinesa. A Caoa Chery, por sua vez, ainda não se pronunciou oficialmente sobre o recebimento da notificação ou sobre eventuais planos de retomada da produção no município.