Foto: Reprodução

Augusto Melo é afastado da presidência do Corinthians após decisão do Conselho

O Conselho Deliberativo do Corinthians aprovou neste sábado (9) a saída de Augusto Melo do comando do clube. Em assembleia realizada no Parque São Jorge, 1.413 associados participaram da votação e 620 se manifestaram pela destituição. Apenas dois votos contrários foram registrados, além de alguns nulos e em branco. A medida segue previsão estatutária e abre um prazo de cinco dias úteis para a escolha de uma nova diretoria, que ficará no cargo até o fim de 2026.

A crise no mandato de Melo ganhou força após a rescisão de um contrato de patrocínio de R$ 370 milhões, considerado o maior da história corinthiana. O rompimento, ocorrido cinco meses após a assinatura, foi motivado pelo acionamento de cláusulas anticorrupção e desencadeou investigações sobre supostas empresas de fachada envolvidas no negócio. O caso elevou a tensão interna e expôs divergências políticas que já vinham crescendo desde o início do ano.

As denúncias que embasaram o pedido de afastamento incluem suspeitas de má gestão, associação criminosa, lavagem de dinheiro e desvio de recursos. Melo rejeita todas as acusações e afirma que o processo foi conduzido de forma injusta, marcado por abusos e nulidades. O Ministério Público de São Paulo, no entanto, ajuizou ação solicitando que ele e outros dirigentes devolvam cerca de R$ 40 milhões e pediu bloqueio de bens de pessoas físicas e jurídicas envolvidas.

Dentro do clube, a votação ampliou o racha político. Grupos opositores acusam Melo de ter se isolado, afastando aliados e centralizando decisões estratégicas. Internamente, conselheiros relatam que o presidente teria usado parte do mandato para neutralizar rivais e consolidar apoio, mas acabou perdendo sustentação até mesmo entre antigos parceiros.

A definição da nova diretoria passa por articulações intensas. Nos bastidores, chapas começam a ser formadas com a participação de nomes ligados a gestões passadas, especialmente de aliados do ex-presidente Andrés Sanchez. A possibilidade de retorno dessa influência divide opiniões entre sócios, que cobram estabilidade administrativa e transparência nos próximos passos.

Enquanto isso, a rotina do clube segue com o departamento de futebol e a comissão técnica tentando blindar o elenco profissional da instabilidade política. Dirigentes interinos afirmam que o foco imediato é evitar que a crise institucional prejudique o desempenho esportivo em meio às competições da temporada.

A eleição suplementar, prevista para ocorrer nos próximos dias, será decisiva para os rumos do Corinthians nos próximos anos. O novo comando herdará um ambiente conflagrado, investigações em andamento e a missão de recuperar a credibilidade interna e externa da gestão alvinegra.

 

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