Foto: Reprodução

Ratinho Jr. intensifica agendas fora do Paraná e prepara terreno para 2026

Ratinho Júnior (PSD), governador do Paraná, tem se movimentado de forma intensa fora dos limites do estado que administra, numa estratégia clara de se posicionar para a disputa presidencial de 2026. Nos últimos meses, participou de quinze compromissos oficiais longe do Paraná, sendo nove deles em São Paulo, polo político e econômico do país. Também esteve no Rio de Janeiro e em Santa Catarina, sempre com agendas que combinam encontros empresariais, palestras e aproximação com lideranças políticas. Em São Paulo, marcou presença em reuniões na Associação Comercial e em eventos da Federação das Indústrias; no Rio, palestrou para a Firjan e dialogou com o empresariado; em Santa Catarina, esteve ao lado do governador Jorginho Mello (PL), fortalecendo alianças no Sul.

O roteiro não é improvisado. Ratinho Jr. busca projetar a imagem de um gestor moderno e eficiente, capaz de transferir para o cenário nacional o modelo de administração que afirma ter consolidado no Paraná. Ao se apresentar como alguém distante dos embates ideológicos e focado em resultados, constrói uma narrativa de alternativa viável para o eleitor que deseja renovação, mas com experiência. A proximidade com o governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos) e a boa relação com líderes do PSD, como Gilberto Kassab, compõem um arranjo político que amplia sua exposição e cria pontes para alianças futuras.

Em paralelo, o governador tem aproveitado essas viagens para se pronunciar sobre temas nacionais, como o recente acordo judicial que envolveu a Petrobras e estados produtores de petróleo. Com discurso voltado à defesa dos interesses regionais, reforça o perfil de político combativo diante do governo federal e crítico a decisões do Supremo Tribunal Federal que, segundo ele, afetam o equilíbrio entre os poderes. Esse posicionamento aproxima-o de empresários e setores conservadores que veem no atual cenário político um excesso de centralização e intervencionismo.

As pesquisas de opinião reforçam a viabilidade da estratégia. Em simulações de segundo turno contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Ratinho Jr. aparece com índices que variam entre 41% e 46% das intenções de voto, dependendo do cenário testado, ficando atrás do petista por margens relativamente estreitas. Os números indicam potencial de crescimento, mas também revelam que ele terá de disputar espaço com outros governadores de perfil semelhante, como Tarcísio, Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (União), todos também com ambições nacionais. Essa concorrência interna no campo da direita pode ser tão desafiadora quanto o embate contra um candidato do PT.

O risco de tantas viagens está no desgaste interno: opositores no Paraná podem acusá-lo de priorizar um projeto pessoal em detrimento da gestão estadual. No entanto, Ratinho Jr. parece disposto a assumir esse custo político. Com duas gestões no comando de um estado economicamente relevante, aposta na antecipação como vantagem competitiva, movendo-se com a convicção de que campanhas presidenciais se vencem muito antes de seu início oficial. O que se desenha é o avanço calculado de um governador que sabe que, na política nacional, tempo é capital — e que quem ocupa o espaço cedo tem mais chances de não perdê-lo depois.

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