São Bernardo do Campo vive mais um capítulo da crise política provocada pela Operação Estafeta. Nesta quinta-feira (14), o Tribunal de Justiça de São Paulo determinou o afastamento do presidente da Câmara Municipal, Danilo Lima Ramos (Podemos), primo do prefeito Marcelo Lima, que também está fora do cargo por decisão judicial.
Segundo a investigação conduzida pela Polícia Federal, Danilo teria recebido quantias expressivas em dinheiro vivo, entregues dentro do próprio Legislativo, além de transferências bancárias. Os repasses, conforme apurado, eram feitos por Paulo Iran Paulino Costa, servidor da Assembleia Legislativa apontado como operador financeiro do esquema.
As apurações indicam ainda que, em meados de 2024, Danilo teria intercedido para que R$ 60 mil em espécie fossem repassados a Marcelo Lima, à época deputado federal, em um encontro marcado em uma adega da cidade. Para a PF, esse episódio integra uma rede estruturada de movimentação de recursos que envolveria políticos, assessores e empresários, sustentada por contratos públicos suspeitos na administração municipal.
Na manhã desta quinta-feira, agentes cumpriram mandado de busca e apreensão na residência do vereador e recolheram documentos e equipamentos. A Justiça também autorizou a quebra do sigilo bancário de Danilo. Ainda não está claro se a decisão impede o exercício do mandato ou apenas o afasta do comando da Câmara. Pelo regimento interno, a vice-presidente Ana Nice (PT) assumirá a presidência caso a notificação seja confirmada.
Danilo Lima, reeleito em 2024 com 9.853 votos, está no segundo mandato e foi reconduzido à presidência do Legislativo no início deste ano. Formado em Processos Gerenciais pela FGV, atuou na Prefeitura em 2017 como diretor de departamento na gestão do ex-prefeito Orlando Morando (PSDB).