São José dos Campos continua a exercer um protagonismo raro no interior brasileiro: o de uma cidade grande o bastante para pesar no ranking nacional e, ao mesmo tempo, consistente o suficiente para não depender de “anos mágicos” para crescer. No levantamento do IBGE que mede o PIB dos municípios em 2023, São José aparece como a 23ª economia do país, com R$ 61,39 bilhões, mantendo a mesma posição do ano anterior e ampliando a riqueza produzida em cerca de 8% na comparação com 2022.
O dado não é apenas um número em vitrine. É o retrato de uma engrenagem que gira com regularidade: uma base produtiva capaz de atravessar oscilações, sustentar cadeias de serviços, tecnologia e indústria e, sobretudo, manter o município no radar das grandes estatísticas nacionais. Enquanto outras cidades alternam saltos e recuos, São José permanece: não “surge” no ranking — permanece nele, e isso é, em economia, uma forma poderosa de liderança.
Taubaté acelera e dá o salto mais visível da região
Se São José simboliza estabilidade com musculatura, Taubaté aparece como a notícia do movimento. A cidade subiu 16 posições, passando da 83ª colocação para a 67ª em 2023. O PIB foi de R$ 18,46 bilhões em 2022 para R$ 22,60 bilhões em 2023, um avanço de 22%. É o tipo de crescimento que muda conversa de mercado, reposiciona expectativas e reforça o Vale como território industrial e de serviços com capacidade de expansão.
Jacareí mantém a rota e cresce sem perder posição
Jacareí segue como uma presença constante no pelotão das 100 maiores economias brasileiras. A cidade aparece na 87ª posição, repetindo o lugar do levantamento anterior, mas com avanço real na produção: o PIB subiu de R$ 17,76 bilhões para R$ 19,69 bilhões, crescimento de 11%. É um desempenho que sugere maturidade: a cidade cresce sem precisar “trocar de pele” a cada ano, reforçando o papel regional de sustentação e encadeamento econômico.
São Sebastião entra no top 100, mas com recuo no valor produzido
A lista de 2023 traz também São Sebastião entre as 100 maiores economias do país, na 98ª posição, com PIB de R$ 17,40 bilhões. O ingresso no grupo, porém, vem acompanhado de um sinal de alerta: houve queda de 8% em relação a 2022, quando o PIB foi de R$ 18,87 bilhões. O dado sugere uma economia sujeita a ciclos — e, por isso, mais sensível a variações de atividade em períodos curtos.
Ilhabela deixa o grupo após queda expressiva
Na outra ponta do movimento regional está Ilhabela, que ficou fora do ranking de 2023 depois de ter ocupado a 55ª posição no levantamento anterior. O PIB caiu de R$ 24,91 bilhões para R$ 14,83 bilhões, retração de 40% em um ano. É uma variação grande, que costuma apontar para mudanças bruscas de desempenho em setores específicos e reforça como economias mais concentradas podem oscilar com mais intensidade.
O que o PIB mede — e o que ele não diz sozinho
O Produto Interno Bruto é a soma da produção local em agropecuária, indústria e serviços. Ele dimensiona o tamanho da economia e a riqueza gerada naquele período, mas não traduz automaticamente renda distribuída, qualidade de vida ou eficiência de políticas públicas. Ainda assim, o ranking funciona como um termômetro importante: ele mostra onde está o volume de atividade, onde a economia se adensa e quais cidades mantêm — ou perdem — posição na disputa nacional por investimentos e dinamismo.
Um Vale com quatro nomes no mapa — e São José como eixo
Em um país em que a concentração econômica é forte, ver quatro cidades do Vale do Paraíba e do Litoral Norte entre as 100 maiores é um recado claro de relevância regional. Mas o protagonismo, hoje, tem um rosto bem definido: São José dos Campos, que sustenta escala, estabilidade e presença contínua no topo. É o tipo de liderança que não faz barulho — faz base. E base, em economia, é o que permanece quando o ano vira e o ranking é recontado.

