Foto: Reprodução

Explosão em bar de resort suíço no Ano-Novo deixa cerca de 40 mortos e ao menos 100 feridos

Uma explosão seguida de incêndio destruiu um bar lotado durante a festa de réveillon na sofisticada estação de esqui de Crans-Montana, no sudoeste da Suíça, na madrugada desta quinta-feira (1º). Autoridades locais informaram que cerca de 40 pessoas morreram e aproximadamente 100 ficaram feridas — a maioria em estado grave — em um episódio que transformou a virada do ano em luto dentro e fora do país.

O fogo teria começado por volta de 1h30 (horário local) no bar Le Constellation, instalado no térreo e também no subsolo do estabelecimento, segundo a imprensa local. A causa exata da explosão ainda não foi confirmada, mas as autoridades afirmaram, em declarações iniciais, que tudo indica ter sido um acidente, com investigação completa aberta. A hipótese de ataque, naquele momento, não estava sendo considerada.

Nos relatos que circulam nas primeiras horas após a tragédia, uma possibilidade levantada é a de que o incêndio tenha relação com fogos de artifício usados durante um show. Do lado italiano, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, disse que o fogo pode ter sido provocado por fogos ou por algum artefato explosivo lançado durante as comemorações de Ano-Novo.

Há também versões baseadas em depoimentos de quem estava no local. Victoria, uma jovem francesa que estava no bar, contou ao canal BFMTV que uma vela cintilante colocada em uma garrafa de champanhe teria incendiado o teto quando uma mulher, erguida nos ombros de outra pessoa e tentando sacudir a garrafa, a levantou alto demais. Segundo ela, as chamas se espalharam rapidamente. Victoria afirmou que conseguiu sair ilesa com amigas e alertou os seguranças do lado de fora, que desceram para tentar conter o fogo.

A dimensão do resgate foi descrita como uma operação de grande porte. Muitas pessoas foram atendidas por queimaduras e a área foi completamente isolada, com zona de exclusão imposta sobre Crans-Montana. Segundo as autoridades, dez helicópteros e 40 ambulâncias foram mobilizados. Feridos foram encaminhados para hospitais em Sion, Lausanne, Genebra e Zurique, de acordo com informações divulgadas pelas equipes de atendimento.

Com o impacto do ocorrido, um centro de convenções passou a receber familiares em busca de informações. Ali foi montado um dispositivo de acolhimento para orientar parentes e concentrar atualizações sobre desaparecidos. “Meu filho está desaparecido”, gritou uma mãe em lágrimas, citada pelo jornal 24 Heures. “Ninguém sabe onde ele está.” As autoridades também disponibilizaram uma linha telefônica para informar as famílias e organizar os contatos enquanto prosseguem as buscas, a identificação das vítimas e os procedimentos de perícia.

Moradores relataram confusão nos primeiros instantes, justamente porque a virada do ano já era marcada por ruídos e luzes no céu. Um residente contou que, “com os fogos de artifício, inicialmente não entendemos o que estava acontecendo”, até que a fumaça se impôs e revelou a gravidade da situação. Outra moradora, que vive a poucos metros do Constellation, disse ter sido avisada enquanto comemorava em casa com amigos: ao descer para a rua, encontrou o trecho já fechado pela polícia. “Ouvia-se o som das sirenes ao longe. Ao meu redor, pessoas estupefatas, preocupadas, silenciosas”, descreveu.

Como Crans-Montana recebe turistas de vários países, as autoridades informaram que há vítimas estrangeiras. A promotoria afirmou que recursos foram direcionados à perícia para identificar os mortos e permitir a liberação dos corpos às famílias o mais rápido possível. O presidente federal suíço, Guy Parmelin, manifestou condolências nas redes sociais e lamentou que o que deveria ser um momento de alegria tenha se convertido, no primeiro dia do ano, em um luto que atinge o país e repercute além de suas fronteiras.

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