O ataque dos Estados Unidos à Venezuela, confirmado pelo presidente norte-americano Donald Trump em sua rede social, desencadeou neste sábado (3) uma onda de reações na América Latina e movimentos imediatos em organismos internacionais. Enquanto o governo venezuelano decretou “estado de emergência”, países da região passaram a se posicionar publicamente, com condenações, apelos à ONU e à OEA e medidas preventivas na fronteira.
A Colômbia foi um dos primeiros governos a reagir com tom institucional e alerta humanitário. O presidente Gustavo Petro declarou que, como membro do Conselho de Segurança das Nações Unidas, busca convocar o colegiado e repudiou o que classificou como agressão contra a soberania da Venezuela e da América Latina. Petro defendeu a autodeterminação e pediu que os conflitos sejam resolvidos de forma pacífica, com “diálogo e mais diálogo” como eixo central.
Além do discurso, Bogotá anunciou o envio de “forças públicas” para a fronteira para atendimentos “caso haja um grande fluxo de refugiados”. O governo também informou que a embaixada colombiana na Venezuela está respondendo ativamente a pedidos de ajuda de colombianos no país, sinal de que a crise já produz demanda consular e preocupação com deslocamentos.
De Cuba, o presidente Miguel Díaz-Canel repudiou a ação e cobrou “reação urgente” da comunidade internacional, afirmando que a região estaria sob ataque. O chanceler Bruno Rodríguez reforçou a crítica, chamando os bombardeios de “sem justificativa”, acusando os EUA de agirem “de forma covarde” e sustentando que a Venezuela não agrediu os Estados Unidos nem outros países.
No Chile, o presidente Gabriel Boric também condenou a ação de Trump e afirmou que seu governo recebeu o episódio com preocupação. Em publicação nas redes sociais, reiterou apoio à solução pacífica de controvérsias internacionais e à integridade territorial dos Estados, destacando que o Chile não faz divisa com a Venezuela — em contraste com a Colômbia, que enfrenta o componente fronteiriço e o risco migratório de modo mais direto.
As reações, porém, expuseram divisão política no continente. O presidente argentino Javier Milei adotou o sentido oposto ao de Petro, Díaz-Canel e Boric e afirmou que a ofensiva representa um “avanço da liberdade”, alinhando-se à leitura defendida por Washington.
O cenário se agrava com a circulação de imagens de incêndio em Fuerte Tiuna — descrito como o maior complexo militar da Venezuela — após uma série de explosões em Caracas neste 3 de janeiro de 2026, em registro creditado a Luis Jakmes/AFP. O material reforça a dimensão do episódio e explica por que a crise atravessou fronteiras em poucas horas.
Com “estado de emergência” decretado por Caracas e pedidos para que OEA e ONU avaliem a legalidade internacional da ofensiva, a região entra em um período de alta tensão, sob risco de efeitos em cadeia: pressão migratória, instabilidade diplomática e aumento de incertezas na segurança regional.

