O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou ao Senado, na quarta-feira (7), a indicação de Otto Eduardo Fonseca de Albuquerque Lobo para assumir o comando da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda. A nomeação foi publicada no Diário Oficial da União.
Responsável por fiscalizar o mercado de capitais, a CVM supervisiona um volume estimado de R$ 16,7 trilhões em ativos negociados no país, como ações, fundos de investimento e debêntures.
Além de Lobo, Lula também indicou o advogado Igor Muniz para uma vaga na diretoria do colegiado. Muniz preside a Comissão Especial de Mercado de Capitais da OAB e atua como advogado da Petrobras. Ainda falta ao governo fazer mais uma indicação para completar a diretoria, que atualmente tem três cadeiras em aberto.
Quem é Otto Lobo
Aos 58 anos, Otto Lobo é advogado carioca, com atuação em direito societário, mercado de capitais, arbitragem e insolvência. Ele está na CVM desde 2022, quando foi indicado durante o governo Jair Bolsonaro.
Desde julho de 2025, Lobo ocupa a presidência interina do órgão, após a renúncia de João Pedro Barroso do Nascimento. Por ser o diretor mais antigo, assumiu a função temporariamente até a definição do novo presidente efetivo.
Formação e trajetória
Lobo é graduado em Direito pela PUC-Rio, tem mestrado pela Universidade de Miami e doutorado em Direito Empresarial pela USP. Também já foi conselheiro titular do CRSFN (Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional), entre 2015 e 2018.
Na área acadêmica, atuou como professor de direito societário e mercado de capitais na FGV Rio e na PUC-Rio, além de ter lecionado na Emerj (Escola da Magistratura do TJ-RJ). É fundador do escritório Lobo & Martin Advogados.
Interinidade marcada por crises
Durante o período em que esteve à frente da CVM de forma interina, o órgão atravessou episódios sensíveis envolvendo o mercado e casos de repercussão, como discussões relacionadas a instituições financeiras e investigações que exigiram respostas rápidas da autarquia.
Agora, com a indicação formalizada, o nome de Otto Lobo dependerá de aprovação do Senado para que ele seja efetivado no cargo.

