A intensificação das tensões militares no Caribe e no norte da América do Sul levou a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos a ampliar os alertas de segurança para companhias aéreas que operam na região. A agência norte-americana informou que passou a recomendar cautela redobrada em rotas que cruzam a América Central e áreas específicas da América do Sul, citando riscos associados a atividades militares e possíveis interferências em sistemas de navegação por GPS.
De acordo com a FAA, os avisos encaminhados a pilotos e empresas aéreas abrangem trechos do México e de países da América Central, além de Equador, Colômbia e partes do espaço aéreo no leste do Oceano Pacífico. Os alertas começaram a valer nesta sexta-feira e têm prazo definido, conforme o planejamento divulgado pela agência.
As medidas ocorrem em meio ao agravamento do cenário político regional. Após a mobilização de uma força militar de grande escala no sul do Caribe, o governo dos Estados Unidos realizou uma operação contra a Venezuela que resultou na prisão do presidente Nicolás Maduro. O presidente Donald Trump também mencionou publicamente a possibilidade de novas ações militares na região, incluindo a Colômbia, o que ampliou a instabilidade diplomática e operacional.
Depois da operação, a FAA endureceu restrições de voo em todo o Caribe, decisão que provocou o cancelamento de centenas de operações por companhias aéreas de grande porte. O administrador da agência, Bryan Bedford, afirmou que houve coordenação prévia entre a autoridade de aviação civil e os militares dos Estados Unidos antes do ataque à Venezuela.
O alerta ganhou peso adicional após um episódio recente envolvendo um voo comercial. No mês passado, um jato da JetBlue que seguia para Nova York precisou realizar manobras evasivas para evitar uma colisão em pleno ar com uma aeronave-tanque da Força Aérea dos EUA nas proximidades da costa venezuelana. O voo havia partido de Curaçao e estava a cerca de 64 quilômetros da Venezuela quando o sistema de bordo do Airbus indicou tráfego próximo. Segundo o relato, o avião militar não estava com o transponder ativado, equipamento essencial para identificação e rastreamento por outros sistemas de controle e aeronaves.
Com o histórico recente de incidentes e o aumento das restrições, autoridades aeronáuticas e companhias aéreas acompanham o cenário com atenção. A avaliação é de que a instabilidade política e militar pode continuar impactando diretamente a segurança e a operação de voos em uma das regiões aéreas mais sensíveis do hemisfério.

