A ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB), virou peça central na costura do palanque de Luiz Inácio Lula da Silva em São Paulo e deve se reunir com o presidente no fim do mês para definir se entrará na disputa paulista de 2026 e em qual faixa do tabuleiro: governo do estado ou Senado. O movimento ganhou tração após o PSB intensificar a ofensiva para atraí-la, oferecendo a Tebet uma nova casa partidária e um caminho eleitoral que, na prática, exigiria romper com o MDB, legenda à qual ela é filiada há quase três décadas.
A articulação ocorre num momento em que o Planalto mira São Paulo como prioridade estratégica. O estado concentra cerca de 33,5 milhões de eleitores, impõe agenda ao debate nacional e costuma definir o tamanho do fôlego político de qualquer campanha presidencial. Na avaliação de aliados do governo, não basta “ter palanque” em São Paulo: é preciso ter um nome competitivo, capaz de puxar a eleição local e, ao mesmo tempo, sustentar a narrativa nacional de Lula em 2026.
É nesse cenário que Tebet passa a ser tratada como alternativa relevante. Aliados argumentam que a ministra reúne visibilidade, recall eleitoral e trânsito com setores fora da bolha tradicional do PT — atributos considerados valiosos numa disputa dura contra o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), provável candidato à reeleição. Mas a hipótese tem um custo político imediato: em São Paulo, o MDB se movimenta para apoiar Tarcísio e mantém alinhamento com o prefeito da capital, Ricardo Nunes, que sustenta a gestão do governador. Para Tebet concorrer no estado, a tendência seria deixar o partido e buscar abrigo em outra sigla do campo governista.
O PSB aparece como o destino mais cortejado e mais viável. A legenda enxerga a chegada de Tebet como uma forma de ganhar densidade em São Paulo e ampliar projeção nacional, além de ajudar a consolidar um palanque mais largo para Lula. Nos bastidores, o nome do presidente nacional do PSB, João Campos, é citado como um dos articuladores da aproximação, vista como um passo de alto impacto na rearrumação do xadrez paulista.
A decisão, porém, não é simples e envolve mais nomes na mesa. Entre as possibilidades consideradas no campo governista está Fernando Haddad, ministro da Fazenda e figura historicamente ligada à disputa paulista. Haddad, segundo aliados, já indicou que não pretende concorrer e tende a permanecer no comando da economia, pelo menos até março — visto que abril é a janela decisiva para desincompatibilização e definição de candidaturas. Ainda assim, a pressão para que ele entre no jogo não desapareceu: para uma parte do PT, Haddad seria o nome com maior capacidade de liderar uma chapa e organizar a campanha no estado.
Outra hipótese lembrada é Geraldo Alckmin, vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. O ex-governador é visto como alguém com musculatura eleitoral e familiaridade com o eleitorado paulista. Mas, no caso de Alckmin, pesa o papel nacional que ocupa ao lado de Lula e o interesse do PSB em manter a composição presidencial. A leitura de interlocutores é que o vice não se move sem cálculo fino, porque qualquer alteração na chapa nacional mexe com a engenharia inteira da reeleição.
Também circulam, na roda de opções, nomes como Márcio França (ministro do Empreendedorismo) e Marina Silva (ministra do Meio Ambiente), citados como possibilidades dependendo do desenho final e das alianças que se tornem possíveis. A inclusão desses nomes mostra que o Planalto trabalha com mais de um cenário e que a conversa com Tebet faz parte de um pacote maior: São Paulo será resolvido como sistema, não como caso isolado.
Enquanto o presidente não bate o martelo, Tebet atua para não fechar portas. A ministra tem ampliado a interlocução com quadros do PSB e feito gestos políticos que, para aliados, soam como sinal de aproximação. Um dos movimentos citados nos bastidores é a conversa com a deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP), figura que transita com facilidade entre a política institucional e o debate público e que, na leitura de interlocutores, pode servir de ponte na construção de um ambiente mais favorável à eventual migração partidária.
Para Tebet, há ainda uma alternativa mais segura — e menos ruidosa — caso permaneça no MDB: buscar um novo mandato pelo Mato Grosso do Sul, estado que ela representa no Senado, onde foi eleita em 2014. Esse caminho, no entanto, mudaria completamente a função estratégica que o governo quer para ela em 2026. Ao apostar em São Paulo, Tebet sairia do terreno previsível para entrar num combate de alta visibilidade, com impacto direto na eleição presidencial.

