Foto: Reprodução

Morre Raul Jungmann, ex-ministro e presidente do Ibram, aos 73 anos

Raul Jungmann morreu na noite deste domingo (18), aos 73 anos, em Brasília. Ele estava internado no hospital DFStar, onde tratava um câncer no pâncreas diagnosticado há mais de dois anos. A morte foi confirmada por pessoas próximas ouvidas pela reportagem.

Figura de passagem intensa pelo coração do Estado brasileiro, Jungmann ocupou postos de relevo em diferentes governos e áreas sensíveis. No período de Fernando Henrique Cardoso, comandou a agenda da reforma agrária no primeiro escalão federal, em anos marcados por conflito no campo e pressão social. Décadas depois, voltou ao centro do poder como ministro da Defesa e, em seguida, da Segurança Pública.

Nos últimos anos, fora das disputas eleitorais, assumiu a liderança do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). À frente da entidade, tornou-se uma das vozes mais influentes do setor, conduzindo conversas sobre licenciamento, sustentabilidade, governança ambiental e a relevância estratégica dos minerais na economia e na transição energética.

Da militância à gestão pública

Pernambucano do Recife, nascido em 3 de abril de 1952, Jungmann construiu reputação de gestor com perfil técnico e capacidade de articulação política. Iniciou a formação em psicologia na Universidade Católica de Pernambuco, curso que não concluiu em razão do engajamento político. Na juventude, participou de movimentos de oposição à ditadura e esteve ligado a grupos de esquerda; mais tarde, passou pelo MDB e consolidou sua trajetória partidária no PPS — atual Cidadania — legenda que ajudou a organizar e conduzir por anos.

Na década de 1990, ocupou funções estratégicas no Executivo, com passagem por cargos em Pernambuco e no governo federal, e ganhou projeção ao assumir responsabilidades na área ambiental e agrária. No fim do governo FHC, tornou-se o primeiro titular do então Ministério do Desenvolvimento Agrário (1999–2002), período em que buscou institucionalizar assentamentos e administrar crises e impasses no campo.

Mandatos e ministérios

No Legislativo, elegeu-se deputado federal por Pernambuco em duas legislaturas (2003–2010) e também exerceu mandato de vereador no Recife. Em 2015, voltou à Câmara como suplente, com atuação destacada em temas de Relações Exteriores, Defesa e segurança, além de frentes parlamentares ligadas ao debate sobre controle de armas.

Em 2016, foi nomeado ministro da Defesa no governo Michel Temer, conduzindo pautas de modernização das Forças Armadas e ações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO). Em 2018, assumiu o recém-criado Ministério Extraordinário da Segurança Pública, em meio à escalada da violência, e permaneceu no cargo até o fim da gestão. Nesse período, esteve à frente de medidas de integração e coordenação federativa na área, incluindo a estruturação do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP).

Repercussão e despedida

Em nota, o Ibram lamentou a morte do diretor-presidente e informou que Jungmann manifestara o desejo de uma despedida reservada a familiares e amigos. A entidade ressaltou sua dedicação ao diálogo institucional, à democracia e ao fortalecimento do setor mineral.

O LIDE (Grupo de Líderes Empresariais), do qual Jungmann era responsável pela frente de mineração, também divulgou comunicado de pesar, destacando sua contribuição para o debate estratégico do setor.

Raul Jungmann deixa a marca de alguém que atravessou, com a mesma gravidade, temas em que o país raramente admite improviso: terra, defesa e segurança — e, por fim, a mineração, onde buscou construir pontes entre desenvolvimento, responsabilidade e futuro.

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