Principal ligação rodoviária entre os dois maiores polos industriais do país, a Rodovia Presidente Dutra – trecho da BR-116 com 402 km de extensão, que conecta São Paulo ao Rio de Janeiro – completa 75 anos nesta segunda-feira (19). Em território paulista, a rodovia federal começa no município de Queluz, sobre o Rio Paraíba do Sul, e se estende por 230 km até o entroncamento com a Marginal Tietê, na Capital. Neste percurso, a Dutra atravessa 20 cidades paulistas, onde vivem mais de 15 milhões de pessoas.
Inaugurada em 1951 pelo então presidente da República Eurico Gaspar Dutra, de quem herdou o nome, a Via Dutra foi além de encurtar distâncias geográficas e se consolidou como o principal corredor logístico do país. A rodovia responde pelo transporte de 50% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.
Em São Paulo, a rodovia contribuiu para configurar o mapa industrial do estado ao estimular a interiorização da atividade produtiva em direção ao Vale do Paraíba. A logística favorável atraiu grandes montadoras para Taubaté, empresas do setor aeroespacial para São José dos Campos e atividades de comércio atacadista, logística e distribuição para Guarulhos, onde está localizado o maior aeroporto do país, às margens da Dutra.

Conexão
Em 2025, 47 milhões de passageiros circularam pelo Aeroporto Internacional de Guarulhos, responsável por 36% do transporte aéreo nacional de passageiros. Recentemente, o trecho urbano da Dutra recebeu R$ 1,4 bilhão para a ampliação de marginais e a construção de viadutos, com o objetivo de reduzir o tempo de deslocamento para o aeroporto e otimizar a logística do transporte aéreo de cargas.
Indústria aeroespacial
É ao lado da Dutra, em São José dos Campos, que a Embraer desenvolve, fabrica e comercializa aeronaves comerciais e executivas. Fundada em 1969, a companhia já entregou mais de 9 mil aeronaves. Segundo estimativas da empresa, a cada 10 segundos, uma aeronave da Embraer decola de algum lugar do mundo, transportando mais de 150 milhões de passageiros por ano.
Indústria automobilística
Em Taubaté, a proximidade da Dutra facilita o escoamento da produção de veículos da fábrica da Volkswagen. Instalada há 50 anos no município, a planta atingiu o marco de 8 milhões de veículos produzidos na cidade, volume que corresponde a 30,5% de toda a produção da montadora alemã no Brasil.
Retorno fiscal
Outro aspecto da relevância econômica da Dutra para o estado de São Paulo é o retorno fiscal. Segundo a concessionária CCR RioSP, que administra a rodovia entre São Paulo e Seropédica (RJ), apenas em 2024 os municípios margeados pela via receberam cerca de R$ 70 milhões arrecadados por meio do Imposto Sobre Serviços (ISS).
“A quantia, proveniente das praças de pedágio ao longo da rodovia BR-116, é dividida entre as cidades proporcionalmente conforme a participação de limite territorial, ou seja, a quilometragem voltada para a rodovia”, explica a CCR RioSP.
Rodovia da Fé
Além de turbinar a indústria paulista, o eixo rodoviário também impulsiona, ano a ano, o turismo religioso em Aparecida. O acesso facilitado pela Dutra ajudou a transformar a cidade em um dos maiores destinos de peregrinação do mundo. Ao longo de 2025, o Santuário Nacional de Aparecida recebeu 10,4 milhões de romeiros, a segunda maior visitação anual já registrada. O recorde histórico ocorreu em 2017, quando cerca de 13 milhões de fiéis passaram pelo templo católico

