Luiz Phillipi Mourão, investigado por supostamente atuar em ações de intimidação contra desafetos do banqueiro Daniel Vorcaro, foi internado em estado gravíssimo em Belo Horizonte (MG) após tentar tirar a própria vida dentro da unidade prisional onde estava detido. De acordo com informações divulgadas pelas autoridades, os médicos abriram protocolo e confirmaram quadro de morte cerebral após a internação no Hospital João 23, referência em atendimento de alta complexidade na capital mineira.
Segundo a Polícia Federal, Mourão foi socorrido por equipes da própria corporação e levado com urgência ao hospital, onde passou a ser monitorado em terapia intensiva. A PF informou que atualizações sobre o caso dependem da avaliação da equipe médica responsável.
O nome de Mourão aparece nas investigações que apuram supostas articulações para intimidar críticos e adversários do banqueiro Daniel Vorcaro. Em conversas analisadas pelos investigadores, ele teria sido chamado de “Sicário”, expressão associada a executor ou matador de aluguel.
Mensagens encontradas no celular do banqueiro, segundo a investigação, indicariam conversas sobre um plano de agressão contra o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo. Nos diálogos citados na apuração, aparecem expressões como “dar um pau” e “quebrar todos os dentes”. Em manifestação pública, Vorcaro afirmou que nunca teve intenção de intimidar jornalistas e alegou que as mensagens foram interpretadas fora de contexto.
Ainda conforme a Polícia Federal, o grupo investigado teria acesso a bases de dados oficiais. Mourão seria apontado como responsável por consultar sistemas para levantar informações sobre pessoas consideradas alvo de interesse do grupo, inclusive com menção ao uso de sistemas institucionais.
Além dessa investigação, Mourão já havia sido denunciado em Minas Gerais em outro caso envolvendo suspeitas de lavagem de dinheiro e organização criminosa. O Ministério Público mineiro sustenta que ele e outros dez denunciados teriam estruturado um esquema de pirâmide financeira voltado à captação de investidores em diversas regiões do país.
A denúncia foi aceita pela Justiça em 2021. Segundo o MP, o grupo utilizava anúncios na internet e redes sociais com promessas enganosas para oferecer supostos serviços de assessoria e gestão de investimentos. O esquema teria operado entre 2018 e 2021, estruturado em núcleos e apoiado por empresas de fachada. As autoridades afirmam que não é possível determinar o número exato de vítimas, embora centenas tenham buscado a Justiça para tentar recuperar os valores aplicados.
A defesa de Mourão afirmou em nota que esteve com ele até cerca de 14h do dia do episódio e que, naquele momento, ele estava em “plena integridade física e mental”. Os advogados também disseram que tomaram conhecimento da tentativa de suicídio apenas após a divulgação de nota oficial da Polícia Federal.
Na porta do hospital, o advogado da família declarou a jornalistas que os pais do investigado aguardavam informações desde o início da noite e que, até aquele momento, nenhum médico havia prestado esclarecimentos formais sobre o quadro clínico. Entretanto, fontes médicas indicaram posteriormente que o estado do paciente evoluiu para morte cerebral.

