Foto: Reprodução

Mojtaba Khamenei é escolhido novo líder supremo do Irã e marca sucessão de linha dura

A Assembleia de Especialistas do Irã escolheu neste domingo (8) Mojtaba Khamenei, de 56 anos, para assumir o posto de líder supremo da República Islâmica. Ele sucede o pai, Ali Khamenei, e passa a ocupar o cargo mais poderoso do país, com influência direta sobre o Estado, as Forças Armadas e a condução estratégica do regime. A nomeação foi anunciada pela mídia estatal iraniana e confirmada por agências internacionais.

Filho do antigo líder supremo, Mojtaba já era apontado havia anos como um nome forte nos bastidores do poder em Teerã. Clerigo de perfil conservador e com trânsito entre setores centrais da Guarda Revolucionária, ele construiu influência longe dos holofotes, dentro do núcleo mais duro do regime. Sua escolha sinaliza continuidade política e religiosa em um momento de forte pressão militar e diplomática sobre o Irã. 

Apesar do peso que acumulou internamente, Mojtaba sempre enfrentou resistência de parte dos críticos do regime por representar uma sucessão de pai para filho, algo visto por opositores como uma contradição ao discurso da Revolução Islâmica de 1979, que derrubou a monarquia no país. Ainda assim, sua proximidade com os centros de poder e o respaldo de setores estratégicos acabaram prevalecendo na decisão da Assembleia de Especialistas, órgão composto por 88 clérigos responsáveis por definir o líder supremo. 

Discreto e raramente exposto em público, Mojtaba é descrito por observadores internacionais como uma figura de forte influência interna, embora sem trajetória eleitoral ou passagem relevante por cargos públicos formais. Seu nome também já apareceu associado, de forma indireta, à repressão de protestos no Irã, especialmente após a crise do Movimento Verde, em 2009. 

Com a escolha, o Irã entrega o comando do regime a um herdeiro político e religioso do khameneísmo. Mais do que uma troca de nomes, a decisão mostra que Teerã optou por preservar a espinha dorsal do sistema, mantendo o poder concentrado no mesmo campo ideológico que domina a República Islâmica há décadas. 

 

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