Foto: Reprodução

PF vê deputada Gorete Pereira como elo político em suposto esquema bilionário de fraudes no INSS

A deputada federal Gorete Pereira (MDB-CE) passou a ser monitorada por tornozeleira eletrônica após ser alvo de uma operação da Polícia Federal deflagrada nesta terça-feira, 17 de março. Segundo as investigações, a parlamentar teria atuado como peça de articulação política de um esquema de descontos irregulares aplicados sobre benefícios de aposentados e pensionistas do INSS.

A apuração, conduzida pela Polícia Federal em conjunto com a Controladoria-Geral da União, aponta que o grupo investigado teria movimentado valores desviados entre 2019 e 2024, num montante que pode alcançar R$ 6,3 bilhões. O conteúdo consta em relatório citado na decisão judicial que autorizou a ofensiva.

De acordo com os investigadores, Gorete teria usado sua influência política para abrir caminhos dentro de órgãos públicos, manter interlocução com autoridades administrativas e pressionar agentes públicos na tentativa de acelerar procedimentos de interesse do grupo. O Ministério Público Federal também sustenta que há indícios de recebimento de recursos por meio de terceiros e de empresas de fachada.

Além da imposição de medidas cautelares à deputada, a operação resultou na prisão preventiva do empresário Natjo de Lima Pinheiro e da advogada Cecília Rodrigues Mota, ex-dirigente de associações de aposentados e pensionistas no Ceará. Ambos são apontados como personagens centrais no funcionamento da engrenagem investigada.

As apurações indicam que Cecília seria responsável por repassar vantagens indevidas a servidores do INSS para garantir a continuidade do esquema. Mensagens encontradas em seu celular, segundo a PF, mostram referência a pagamentos mensais abastecidos com recursos oriundos de empresas ligadas a Natjo Pinheiro. Em uma das anotações analisadas, esses repasses aparecem associados à expressão “Comissão Brasília”.

No caso da deputada, a Polícia Federal afirma ter identificado menção direta a seu nome em uma planilha de pagamentos atribuída ao grupo. Ao lado da referência à parlamentar, aparece o valor de R$ 780.433,50, o que reforçou a suspeita de participação no esquema, segundo os investigadores.

Outro ponto sensível da investigação envolve o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, preso em novembro do ano passado. A PF afirma que análises bancárias apontam o repasse de cerca de R$ 4 milhões a Stefanutto entre abril de 2024 e janeiro de 2025, a partir de contas ligadas a Cecília Rodrigues Mota.

As investigações também alcançam outros ex-integrantes da estrutura do instituto. Conversas interceptadas, segundo a Polícia Federal, sugerem possível pagamento de valores indevidos a André Paulo Fidelis, ex-diretor de Benefícios e Relacionamento com o Cidadão do INSS, e a Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, ex-procurador-geral da Procuradoria Federal Especializada junto ao órgão.

Em nota, a defesa de Maria Gorete Pereira negou qualquer irregularidade e afirmou que a parlamentar não praticou ato ilícito. Os advogados sustentam ainda que as informações divulgadas até agora não correspondem à realidade dos fatos e disseram confiar no devido processo legal.

A defesa do empresário Natjo de Lima Pinheiro, por sua vez, classificou a prisão preventiva como desnecessária e desproporcional.

 

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