Preso desde setembro sob suspeita de envolvimento em fraudes contra o INSS, o empresário Maurício Camisotti firmou um acordo de delação premiada com a Polícia Federal, no qual reconhece a existência de irregularidades nos descontos aplicados em aposentadorias e pensões.
Apontado como um dos principais operadores do esquema, Camisotti foi alvo da Operação Sem Desconto, que também levou à prisão de outros investigados, entre eles Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
O acordo firmado ainda deverá passar pela análise da Procuradoria-Geral da República, embora as negociações tenham sido conduzidas inicialmente apenas com a Polícia Federal. Há expectativa de que, como parte dos termos, o empresário possa obter o benefício de prisão domiciliar.
Para validar a delação, Camisotti terá de apresentar provas que sustentem suas declarações, incluindo documentos, registros de conversas e a identificação de outros envolvidos — entre eles possíveis agentes públicos e figuras políticas que teriam participação no esquema.
Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, elaborados a pedido da CPI que investiga as fraudes no sistema previdenciário, apontam movimentações financeiras suspeitas. Entre 2018 e 2025, foram registrados ao menos 17 saques, sendo o maior no valor de R$ 3 milhões. Em outra operação, foram retirados R$ 285 mil de uma conta vinculada ao empresário, sem identificação clara do responsável pelo saque.
As investigações indicam que o esquema consistia na aplicação de descontos indevidos em benefícios previdenciários, sem autorização dos segurados — prática que ganhou visibilidade nacional após operações conjuntas da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União.
À época de sua prisão, a defesa de Camisotti negava qualquer participação em irregularidades. Agora, com a delação, o caso entra em uma nova fase, com potencial de ampliar o alcance das investigações e revelar a extensão do esquema dentro e fora da estrutura pública.

