A Polícia Federal investiga a entrada no Brasil de cinco volumes que teriam passado sem fiscalização em um voo que trouxe autoridades políticas. Entre os passageiros estavam o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o senador Ciro Nogueira (PP-PI).
O episódio ocorreu no retorno de uma viagem à ilha de São Martinho, realizada em aeronave particular do empresário Fernando Oliveira Lima, conhecido como Fernandin OIG. Ele já havia sido alvo de uma CPI no Senado que analisou o mercado de apostas.
A apuração foi encaminhada ao Supremo Tribunal Federal após a identificação de nomes com prerrogativa de foro na lista de passageiros. Nesses casos, eventuais investigações dependem de autorização da Corte.
Além de Motta e Nogueira, também estavam no voo os deputados Doutor Luizinho (PP-RJ) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL).
O material produzido pela Polícia Federal ainda não permite apontar a origem das bagagens nem confirmar se autoridades com foro privilegiado têm envolvimento direto. Diante desse cenário, a Procuradoria-Geral da República avalia se existem indícios suficientes para abrir investigação formal, se serão necessárias novas diligências ou se o caso deve retornar à primeira instância por falta de elementos.
O Ministério Público Federal em São Paulo defendeu o envio do caso ao STF. Em manifestação, destacou que não é possível descartar, neste momento, a participação de pessoas com prerrogativa de foro nos fatos investigados ou em eventuais desdobramentos que venham a surgir ao longo da apuração.

