A denúncia feita por uma aluna da Unesp de São José dos Campos, que afirma ter sido estuprada por um professor em 2023, abriu uma sequência de novos relatos dentro do campus. Segundo estudantes, cerca de dez casos de assédio e abuso sexual envolvendo docentes passaram a ser mencionados após a exposição do caso.
Na tarde desta segunda-feira, 4, aproximadamente 200 alunos realizaram um ato no campus de Odontologia, na região central da cidade. Vestidos de preto, eles cobraram investigação, acolhimento às vítimas e punição aos responsáveis.
Os relatos citam episódios de toques sem consentimento, assédio moral, intimidação e medo de represálias. Estudantes afirmam que a sensação de impunidade dentro do ambiente universitário teria permitido a repetição de condutas abusivas ao longo dos anos.
A Unesp informou que repudia qualquer forma de assédio e disse manter canais institucionais para acolhimento e apuração das denúncias, com sigilo e possibilidade de anonimato. A direção do ICT também comunicou a abertura de dois processos preliminares para investigar registros feitos na Ouvidoria.
Os alunos, no entanto, cobram respostas mais firmes da instituição. Para eles, manifestações de solidariedade não bastam diante da gravidade das acusações. A mobilização pede medidas concretas para que a universidade seja, de fato, um espaço seguro para estudar, trabalhar e viver.

