O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, tornou-se alvo de uma operação da Polícia Federal que investiga suspeitas de fraudes e irregularidades ligadas ao setor de combustíveis. Agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em um condomínio na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio.
A ofensiva também atinge o empresário Ricardo Magro, apontado como um dos principais nomes do grupo Refit, controlador da Refinaria de Manguinhos. Contra ele, a Justiça determinou prisão preventiva e incluiu seu nome na lista de Difusão Vermelha da Interpol.
Batizada de Operação Sem Refino, a ação apura suspeitas de ocultação patrimonial, evasão de recursos ao exterior, dissimulação de bens e possíveis fraudes fiscais envolvendo empresas do conglomerado investigado. Segundo a Polícia Federal, foram expedidos 17 mandados de busca e apreensão, além de medidas de afastamento de funções públicas nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal.
As investigações também analisam inconsistências relacionadas à operação de uma refinaria ligada ao grupo empresarial. A Justiça determinou ainda o bloqueio de cerca de R$ 52 bilhões em ativos financeiros e a suspensão das atividades econômicas das empresas envolvidas na apuração.
O advogado Carlo Luchione, responsável pela defesa de Cláudio Castro, afirmou que ainda não teve acesso ao conteúdo que motivou a decisão judicial expedida pelo ministro Alexandre de Moraes. Informações divulgadas pela TV Globo apontam que o ex-governador estava em casa no momento da operação.
A investigação dialoga com desdobramentos da chamada ADPF das Favelas, ação apresentada pelo Partido Socialista Brasileiro ao Supremo Tribunal Federal em 2020, durante a pandemia da Covid-19. Relatada inicialmente pelo ministro Edson Fachin, a ação estabeleceu restrições para operações policiais em comunidades, permitindo incursões apenas em situações excepcionais e mediante comunicação prévia ao Ministério Público.

