Foto: Reprodução

Leão XIV alerta para riscos da inteligência artificial e associa avanço tecnológico ao crescimento das guerras

O papa Leão XIV divulgou nesta segunda-feira (25) seu primeiro grande documento oficial e fez um duro alerta sobre os impactos da inteligência artificial no futuro da humanidade. No texto, preparado desde sua eleição ao pontificado, o líder da Igreja Católica pede que governos do mundo desacelerem e regulamentem o desenvolvimento de sistemas de IA antes que a tecnologia amplie conflitos, desinformação e desigualdades globais.

Com cerca de 43 mil palavras, a encíclica apresentada no Vaticano trata a inteligência artificial como um dos temas centrais do século XXI. O pontífice afirma que algumas armas autônomas já avançaram além da capacidade humana de controle e critica o fortalecimento de uma cultura baseada na violência e na disputa de poder.

Leão XIV também manifestou preocupação com o enfraquecimento de organismos multilaterais e apontou que os interesses econômicos da indústria bélica ajudam a alimentar guerras ao redor do planeta.

“Os últimos 60 anos foram marcados por conflitos de brutalidade surpreendente”, afirmou o papa no documento divulgado em inglês. Em outro trecho, ele diz que a humanidade corre o risco de transformar a paz apenas em um intervalo temporário entre guerras.

O texto foi apresentado durante um evento no Vaticano que contou com a presença de Chris Olah, cofundador da Anthropic, uma das principais empresas de inteligência artificial do mundo. O encontro reforçou a tentativa da Santa Sé de inserir o debate ético sobre IA no centro das discussões globais.

Além da questão militar, Leão XIV defendeu que os dados produzidos por sistemas de inteligência artificial não fiquem concentrados exclusivamente em empresas privadas. O papa também pediu proteção aos trabalhadores diante das transformações tecnológicas e demonstrou preocupação com crianças expostas ao avanço descontrolado das plataformas digitais.

Nos últimos meses, o pontífice já vinha adotando um discurso mais incisivo sobre guerras e tecnologia. O documento amplia esse posicionamento e coloca o Vaticano como uma das principais vozes mundiais na defesa de limites éticos para a inteligência artificial.

A publicação repercute internacionalmente por unir temas como tecnologia, economia, geopolítica e direitos humanos em um momento de tensão global marcado por guerras, disputas comerciais e crescimento acelerado das plataformas de IA.

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