Polícia Federal realiza operação em São José dos Campos e Caçapava contra suspeita de extração irregular de areia

A Polícia Federal realizou nesta quarta-feira (3) uma operação no Vale do Paraíba para apurar um suposto esquema de exploração clandestina de areia e possíveis infrações ambientais. As diligências ocorreram em São José dos Campos e Caçapava, onde foram cumpridos mandados de busca e apreensão autorizados pela Justiça Federal.

Batizada de Operação Lavada, a ação faz parte de uma investigação que busca esclarecer a atuação de uma empresa suspeita de retirar areia de uma área sem a devida autorização legal. De acordo com os investigadores, o material extraído seria posteriormente encaminhado para uma área regularmente licenciada, numa tentativa de dificultar a identificação de sua origem.

Durante o cumprimento dos mandados, agentes federais recolheram documentos, equipamentos eletrônicos e outros materiais que poderão auxiliar no aprofundamento das apurações. O objetivo é identificar a extensão da atividade e eventuais responsabilidades de pessoas físicas e jurídicas envolvidas.

As investigações apontam que a exploração mineral teria ocorrido sem autorização da União, condição necessária para a extração legal desse tipo de recurso. A prática pode configurar crime contra o patrimônio público, além de outras infrações previstas na legislação ambiental.

Outro ponto que chama a atenção dos investigadores são os indícios de intervenções em Áreas de Preservação Permanente (APPs), espaços protegidos por lei devido à relevância para a manutenção dos recursos hídricos, da biodiversidade e do equilíbrio ambiental.

Segundo especialistas, atividades irregulares nessas áreas podem provocar impactos significativos, incluindo erosão do solo, assoreamento de rios e perda de vegetação nativa, comprometendo ecossistemas inteiros.

A Polícia Federal também busca reunir informações relacionadas à movimentação da areia, documentação ambiental, registros operacionais e notas fiscais, com o objetivo de reconstruir o caminho percorrido pelo material desde a extração até o destino final.

Os investigados poderão responder por crimes ligados à mineração ilegal, dano ambiental e exploração indevida de recursos pertencentes à União. Somadas, as penas previstas para essas infrações podem alcançar nove anos de prisão.

Até o momento, não foram divulgadas informações sobre prisões ou medidas cautelares adicionais. A investigação continua e novas etapas da operação não estão descartadas.

A ação reforça o monitoramento das atividades minerárias na região do Vale do Paraíba, onde a demanda por areia, impulsionada pelo setor da construção civil, exige fiscalização constante para garantir o cumprimento da legislação ambiental e mineral.

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