A crise entre a Prefeitura de Taubaté e os servidores municipais ganhou mais um capítulo nesta segunda-feira (8), mas sem qualquer sinal de avanço. A reunião realizada entre o prefeito Sérgio Victor, secretários municipais e vereadores terminou após mais de uma hora e meia de discussões sem que fosse apresentada uma nova proposta capaz de encerrar a greve iniciada no último dia 2 de junho.
O encontro reuniu 15 dos 19 vereadores da cidade e teve como principal objetivo buscar uma saída para o impasse que afeta áreas sensíveis da administração pública, especialmente saúde e educação. No entanto, segundo relatos obtidos junto a parlamentares presentes, o prefeito reafirmou que a situação financeira do município impede, neste momento, qualquer discussão sobre reajuste salarial.
A posição do governo permanece a mesma apresentada no fim de maio: a única proposta formal continua sendo a ampliação do vale-alimentação dos servidores, que passaria de R$ 502,50 para R$ 844,56. Já o sindicato mantém a reivindicação de reposição inflacionária de 9,43%, referente aos dois últimos anos, período em que não houve revisão geral dos salários.
Durante a reunião, Sérgio Victor voltou a defender que a categoria suspenda a paralisação para que as negociações sobre remuneração sejam retomadas apenas em julho, quando a administração espera ter um retrato mais preciso das contas públicas. A sugestão, entretanto, já havia sido rejeitada pelos trabalhadores antes mesmo do início da greve.
Estratégia da Prefeitura é ganhar tempo
Nos bastidores, a avaliação de parte dos vereadores é que a Prefeitura acredita possuir margem para resistir à pressão do movimento grevista. O governo aposta que o risco de descontos salariais pelos dias parados poderá reduzir gradativamente a adesão dos servidores à paralisação.
Outro elemento considerado favorável ao Executivo é a liminar concedida pelo Tribunal de Justiça, que determina a manutenção de 70% do efetivo em atividade para assegurar a continuidade dos serviços essenciais. O sindicato foi oficialmente notificado da decisão nesta segunda-feira, e a administração municipal acredita que a possibilidade de multas pode contribuir para enfraquecer o movimento.
Próxima rodada será decisiva
Uma nova reunião está marcada para quarta-feira (10), desta vez com a participação simultânea da Prefeitura, vereadores e representantes do sindicato. Apesar da expectativa de diálogo, a administração já sinalizou que a proposta a ser apresentada continuará baseada exclusivamente na elevação do vale-alimentação.
Em nota, a Prefeitura afirmou que o encontro desta segunda serviu para detalhar aos vereadores a situação financeira do município e esclarecer os termos da proposta já encaminhada à categoria. O governo também reiterou que seu principal objetivo é encerrar a greve e restabelecer integralmente os serviços públicos.
Enquanto isso, o movimento dos servidores segue mobilizado. Sem avanço nas negociações e com as duas partes mantendo posições distantes, o conflito entra em uma fase decisiva que poderá determinar não apenas o futuro da paralisação, mas também o ambiente político da gestão Sérgio Victor nos próximos meses.

