A professora doutora Leticia Maria Pinto da Costa assumiu nesta sexta-feira a Reitoria da Universidade de Taubaté com um recado direto sobre um dos temas que voltaram ao debate político local: a federalização da Unitau. Para a nova reitora, a possibilidade de transformar a universidade, hoje autarquia municipal, em instituição federal não está no horizonte imediato.
Após a solenidade de posse, realizada no auditório do Departamento de Comunicação e Negócios da universidade, Leticia afirmou que a conjuntura nacional não aponta para esse caminho. Segundo ela, o Ministério da Educação tem concentrado esforços na ampliação dos Institutos Federais, o que torna improvável, neste momento, a incorporação de uma universidade municipal do porte da Unitau.
A reitora lembrou que o assunto já apareceu em diferentes fases da história da instituição, mas nunca avançou de forma concreta. Ela também citou a complexidade administrativa e financeira de uma eventual mudança, considerando o orçamento da universidade, seu quadro de servidores e o Instituto de Previdência ligado à estrutura municipal.
Embora reconheça que uma universidade federal teria importância para Taubaté e para o Vale do Paraíba, Leticia defendeu que a Unitau construiu uma trajetória própria, profundamente ligada à região. Para ela, a universidade permanece financeiramente sustentável, mantém qualidade de ensino e desenvolve pesquisas, cursos e programas de pós-graduação conectados às necessidades locais.
A nova reitora disse estar aberta ao diálogo sobre o tema, mas reforçou que, no curto prazo, a federalização não deve avançar.
Primeira ex-aluna eleita reitora
Leticia Maria assume a gestão da Unitau ao lado do vice-reitor, professor doutor Alexandre Paiva Luciano. O mandato vai de 2026 a 2030.
Primeira egressa eleita para comandar a universidade, ela destacou sua ligação de quase quatro décadas com a instituição. Foi aluna, jornalista, professora, pesquisadora e ocupou funções administrativas antes de chegar à Reitoria.
A nova dirigente afirmou que conhecer a universidade por dentro será um diferencial para enfrentar os desafios da gestão, mas ressaltou que pretende conduzir o trabalho de forma coletiva, com apoio de uma equipe técnica e acadêmica.
Tecnologia, internacionalização e formação humana
Entre as prioridades da gestão, Leticia citou a internacionalização da Unitau, a atualização dos currículos e o uso crescente de novas tecnologias, incluindo a inteligência artificial.
A reitora defendeu que a IA já faz parte da realidade do ensino superior e precisa ser incorporada às práticas acadêmicas, mas sem substituir o papel central das pessoas no processo de formação.
Para ela, a universidade deve se modernizar sem perder sua essência: formar alunos com conhecimento técnico, visão crítica e sensibilidade humana.
Leticia também afirmou que pretende manter diálogo constante com os estudantes, que considera a razão principal da existência da universidade.
