O comando do Batalhão de Polícia do Exército em Brasília entregou à Polícia Federal seis armas registradas em nome do ex-presidente Jair Bolsonaro. O armamento estava sob custódia da corporação e foi encaminhado à Superintendência da PF no Distrito Federal após determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
A ordem de Moraes estabelecia prazo de 48 horas para que oito armas do ex-presidente que estavam com o Exército fossem apresentadas à Polícia Federal. No entanto, segundo as informações prestadas pela corporação, apenas seis foram localizadas e entregues. Outras duas seguem sem localização confirmada no batalhão.
As armas entregues foram uma pistola Taurus calibre .380, uma pistola Taurus calibre .40, uma carabina/fuzil Springfield Armory calibre 7,62×51 mm, uma espingarda Typhoon calibre 12, uma pistola Arex calibre 9×19 mm e uma pistola SIG-Sauer calibre 9×19 mm.
De acordo com o Exército, as duas armas que não estavam no batalhão são uma pistola Glock calibre 9×19 mm Parabellum e uma espingarda Maestro Arms Company calibre 12. Ao todo, Bolsonaro possui 11 armas registradas em seu nome.
A determinação de Moraes também incluiu a revogação do registro de CAC do ex-presidente, categoria destinada a colecionadores, atiradores desportivos e caçadores. A medida foi tomada no mesmo contexto da decisão que prorrogou a prisão domiciliar de Bolsonaro.
Uma das armas de Bolsonaro já havia sido apreendida em junho durante uma abordagem policial em Brasília. A pistola Glock 9mm foi encontrada com o sargento do Exército Estácio Leite da Silva Filho, que estava em um veículo oficial da Presidência da República durante fiscalização de rotina no Pistão Norte.
Na abordagem, policiais perceberam a presença da arma no assoalho do carro. Também havia um carregador. Questionado, o militar disse que trabalhava para Bolsonaro, afirmou que o ex-presidente era o dono da pistola e declarou que estava levando o armamento para conserto, porque a arma apresentaria uma pane de fácil solução.
Bolsonaro admitiu em depoimento que mantinha a arma em casa. Na ocasião, segundo o relato do caso, ele afirmou que precisava permanecer armado por questões de segurança familiar.
Ao analisar o episódio da pistola apreendida, Moraes seguiu parecer da Procuradoria-Geral da República, que não viu falta grave cometida por Bolsonaro nesse caso específico. A Polícia Federal também concluiu que o ex-presidente não cometeu crime nesse episódio, mas apontou responsabilidade do militar que transportava o armamento.
