O deputado federal Aécio Neves, de Minas Gerais, afirmou que não será candidato à Presidência da República nas eleições de 2026. Segundo ele, o PSDB também não deverá lançar representante próprio na disputa pelo Palácio do Planalto.
A declaração foi dada em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo e posteriormente confirmada à Folha. O nome de Aécio voltou a circular internamente no partido depois do desgaste envolvendo a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, citado em conversas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Mesmo diante das articulações, Aécio decidiu afastar a possibilidade de concorrer. A última vez em que o tucano ocupou papel central numa eleição presidencial foi em 2014, quando disputou o segundo turno contra Dilma Rousseff, do PT. Naquele ano, ele terminou a corrida com 48,36% dos votos válidos, contra 51,64% da petista, que acabou reeleita.
Depois daquele pleito, Aécio e o PSDB perderam força no cenário nacional. O partido, que durante décadas polarizou a disputa presidencial com o PT, foi atingido por denúncias decorrentes da Operação Lava Jato e passou a encolher eleitoralmente, cedendo espaço para novas forças da direita e do centro.
Na avaliação do deputado, o PSDB não deve se alinhar nem a Flávio Bolsonaro nem ao presidente Lula em um eventual segundo turno. Para Aécio, a legenda deveria manter posição de neutralidade, diante de uma disputa que ele classificou como uma das mais duras e divisivas da história recente do país.
O tucano também afirmou que, qualquer que seja o vencedor, o Brasil deverá conviver com mais quatro anos de forte polarização. Segundo ele, a divisão política passou a alimentar os dois campos extremos, que se beneficiariam da manutenção desse ambiente de confronto.
