As investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e Marco Aurélio Santana Ribeiro, ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, voltaram a colocar o tema da corrupção entre os assuntos capazes de atravessar a campanha presidencial de 2026.
A apuração sobre a relação dos dois com a lobista Roberta Luchsinger surge em um momento no qual aliados do presidente buscavam aumentar a pressão sobre Flávio Bolsonaro a partir do episódio conhecido como “Dark Horse”. Em maio, um áudio divulgado pelo The Intercept Brasil mostrou o senador solicitando recursos ao empresário Daniel Vorcaro para a conclusão de um filme sobre Jair Bolsonaro.
O cenário começou a mudar com as revelações sobre uma suposta articulação de Lulinha e Roberta para a venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde. As tratativas não avançaram, mas passaram a integrar as investigações. A lobista também teria encaminhado uma minuta de contrato a Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, que teria recebido presentes e transferências de Roberta. Ele afirma que os valores correspondiam a um empréstimo.
Lulinha e Marcola negam irregularidades. A defesa do filho do presidente também critica o vazamento de informações relacionadas às investigações. Lula, por sua vez, afirma publicamente que os fatos devem ser apurados, com garantia de defesa aos envolvidos, e declarou que não pretende interferir para proteger o filho.
Nos bastidores da campanha governista, as consequências políticas do episódio são analisadas de maneiras diferentes. Uma parcela dos aliados considera que as revelações dificultam a estratégia de transformar a corrupção em instrumento de desgaste direto contra Flávio Bolsonaro, enquanto outro grupo entende que os eleitorados dos dois principais campos políticos estão consolidados e dificilmente mudariam de posição apenas por causa das denúncias.
Mesmo assim, existe preocupação com eventuais reflexos sobre a mobilização da militância petista, historicamente importante para a estrutura eleitoral do partido.
A estratégia do PT tende a evitar que as explicações sobre Lulinha e Marcola dominem a campanha e, ao mesmo tempo, recuperar o episódio “Dark Horse” no confronto com Flávio. O argumento utilizado por aliados de Lula é que as suspeitas atuais atingem pessoas próximas ao presidente, enquanto, no caso envolvendo o filme sobre Jair Bolsonaro, o próprio candidato da oposição aparece diretamente relacionado ao pedido de recursos.
Apesar da possibilidade de a corrupção ganhar espaço no embate eleitoral, integrantes da campanha governista avaliam que o debate sobre propostas, economia e políticas públicas deverá ocupar parcela significativa da disputa. A sucessão de investigações, entretanto, indica que um tema recorrente nas últimas eleições brasileiras voltou a integrar o repertório político de 2026.

