Uma enxurrada de proporções devastadoras atingiu nesta quarta-feira (26) a região montanhosa entre o Nepal e o Tibete, deixando ao menos 160 mortos e centenas de desaparecidos. Entre as pessoas ainda não localizadas estão mais de 500 turistas e peregrinos que percorriam uma das rotas mais movimentadas da região do Himalaia.
Segundo os números divulgados até o momento, 157 mortes foram confirmadas em território nepalês e outras três no Tibete. No lado chinês da fronteira, 265 pessoas permanecem desaparecidas. As autoridades alertam que o balanço pode aumentar conforme as equipes consigam alcançar comunidades isoladas.
Imagens registradas durante o desastre mostram uma enorme massa de água, lama e detritos avançando sobre estradas, pontes e construções. Na passagem fronteiriça de Gyirong, câmeras de segurança flagraram pessoas tentando fugir instantes antes de a enxurrada atingir a área.
A origem da tragédia ainda está sob investigação. As primeiras informações chegaram a levantar a possibilidade de um terremoto, mas autoridades trabalham agora com a hipótese de que uma avalanche de gelo ou um grande deslizamento tenha desencadeado a sequência de eventos que provocou a inundação repentina.
A região atingida recebe nesta época do ano grande quantidade de visitantes. Além de montanhistas e praticantes de trekking, milhares de peregrinos hindus e budistas atravessam a fronteira em direção ao Monte Kailash, no Tibete, considerado sagrado por diferentes tradições religiosas.
Entre os turistas desaparecidos estão pelo menos 133 indianos, 54 norte-americanos e 33 britânicos, além de mais de uma centena de nepaleses. De acordo com informações divulgadas pelo Itamaraty, até agora não existe registro de brasileiros entre os desaparecidos.
O governo nepalês mobilizou 1.697 militares para as operações e mantém outros 656 de prontidão. Helicópteros militares e civis conseguiram retirar mais de uma centena de pessoas das áreas atingidas, enquanto equipes terrestres avançam por localidades onde estradas foram destruídas.
As buscas devem continuar durante a madrugada. Pessoas isoladas nas proximidades de Timure, no distrito de Rasuwa, deverão ser retiradas por helicóptero assim que as condições permitirem.
A Organização Mundial da Saúde enviou medicamentos, barracas e suprimentos médicos de emergência e informou que acompanha possíveis riscos sanitários provocados pela destruição. A Índia também encaminhou dez toneladas de ajuda humanitária ao Nepal.
O primeiro-ministro nepalês, Balendra Shah, afirmou que o país está profundamente abalado pela dimensão da catástrofe.
Relatos de sobreviventes revelam a rapidez com que a água atingiu as comunidades. Casas desapareceram, famílias foram separadas e comunicações permanecem interrompidas em diferentes pontos da região.
Com centenas de pessoas ainda sem localização confirmada e áreas inteiras de difícil acesso, Nepal e Tibete enfrentam agora uma corrida contra o tempo para encontrar sobreviventes de uma das mais graves tragédias recentes na região do Himalaia.

