Médica-veterinária, integrante do Movimento Brasil Livre (MBL) desde 2020 e uma das fundadoras do partido Missão, Fernanda Schmitt coloca seu nome na disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) defendendo renovação política, fortalecimento da representação regional e uma atuação pautada, segundo ela, por critérios técnicos na administração pública.
Com trajetória ligada à organização do MBL em São José dos Campos, Fernanda participou desde o início do processo de criação do Missão, incluindo a assembleia constitutiva e a coleta de assinaturas que permitiu o registro da legenda. Na entrevista, ela fala sobre a relação entre o novo partido e o movimento que lhe deu origem, participação feminina na política e a necessidade de o Vale do Paraíba ampliar sua representação parlamentar.
A candidata também aborda temas diretamente relacionados à sua formação profissional, como políticas públicas de proteção animal, controle de espécies invasoras e saúde preventiva, além de defender uma revisão do sistema estadual de regulação de urgências do SUS. No campo político, comenta a candidatura presidencial de Renan Santos e afirma que, caso eleita, pretende manter uma posição independente na Alesp.
A seguir, trechos da entrevista:
1. O que a motivou a seguir na causa pública e colocar seu nome à disposição dos eleitores?
Fernanda Schmitt: Essa vontade de mudar vem desde o meu acompanhamento com o Movimento Brasil Livre (MBL) nas manifestações do “Fora Dilma” e da inquietação de não termos chegado ao Brasil que sonhamos. Entrei no MBL em 2020 como coordenadora em São José dos Campos e sou uma das fundadoras do partido Missão. Coloco meu nome à disposição por essa falta de representatividade, trazendo uma nova proposição de país e de Estado.
2. Muita gente ainda confunde o Missão com o MBL. O partido Missão vem do MBL?
Fernanda Schmitt: Tem origem no MBL, mas vai além por se colocar verdadeiramente como um projeto de país. Temos o Livro Amarelo, que é o projeto do que pretendemos fazer nos próximos 10, 20 ou 30 anos no governo, em áreas como saúde, educação e segurança pública. O MBL foi a sementinha e o movimento suprapartidário e, com a fundação do Missão, temos o instrumento legal para disputar eleições.
3. Como foi a sua participação no processo de construção e coleta de assinaturas para a criação do partido?
Fernanda Schmitt: Participei desde o começo. Para criar um partido, é necessária uma assembleia constitutiva com 100 pessoas no TSE, e eu fui uma dessas 100 pessoas em outubro de 2023. Participei das coletas e de toda a nossa jornada até concluir o partido em tempo recorde, contra todas as estatísticas.
4. O que dificulta, hoje em dia, a ampliação do acesso e da representação de mulheres na política?
Fernanda Schmitt: Vou na contramão de quem diz que a mulher não tem espaço; hoje nós temos espaço, mas a questão é: por que a mulher não vota em mulher? A mulher não se vê representada pelas mulheres que estão no poder. No partido Missão, trazemos candidatas qualificadas, com ideias compatíveis com o Livro Amarelo, mostrando que é possível, sim, ser representada por mulheres com propostas alinhadas.
5. Você é a favor do voto regional para fortalecer a representação do Vale do Paraíba?
Fernanda Schmitt: Sou a favor do voto regional e da conscientização da população. A população precisa entender que as políticas públicas regionais dependem de agentes engajados com a causa local. Quando existe sub-representação, a região perde impulso legislativo e executivo.
6. Sendo médica-veterinária, a causa animal faz parte da sua plataforma? Qual a sua visão sobre o tema?
Fernanda Schmitt: É uma causa constante, mas gosto de trabalhar a causa animal de forma racional. Vemos políticos tratando a pauta de forma populista em vez de científica. Um exemplo é o controle de javalis: por serem espécies invasoras que destroem lavouras e o meio ambiente, seu controle é questão de saúde e defesa sanitária, mas alguns grupos se opõem de forma emotiva. Da mesma forma, sou veterinária e apoio rodeios sérios que respeitem as regras do bem-estar animal.
7. No que tange aos animais domésticos, as políticas públicas municipais e estaduais têm atendido às necessidades?
Fernanda Schmitt: No geral, no Estado de São Paulo, os municípios atendem bem, mas precisamos sempre de políticas públicas focadas em saúde animal preventiva. Por exemplo, casos recentes de raiva exigem atenção preventiva do poder público.
8. Como você avalia a movimentação do partido ter como candidato à Presidência o Renan Santos?
Fernanda Schmitt: Vejo de forma muito positiva. Traz a esperança de sair da dualidade entre Lula e Flávio com uma proposta real de país. Mostra que existe uma demanda da população por uma alternativa firme, com propostas focadas em segurança pública e responsabilidade gerencial.
9. Qual é a principal proposta da sua plataforma de atuação na Assembleia Legislativa (Alesp)?
Fernanda Schmitt: Uma das principais pautas é a revisão do sistema de urgência do SUS em São Paulo. Hoje existe o mecanismo da “vaga zero”, que obriga hospitais a receberem pacientes mesmo sem leito ou centro cirúrgico disponível. Quero propor uma revisão dessa regulação para evitar que pessoas em estado grave sejam enviadas para hospitais sem estrutura adequada para o atendimento.
10. Se eleita, como pretende se posicionar na Alesp: na base do governo, oposição ou de forma independente?
Fernanda Schmitt: Pretendo atuar com independência e bom senso. Se as propostas do governo forem compatíveis com nossos valores e projetos para a população, estaremos alinhados; caso existam divergências técnicas ou ideológicas, manteremos a independência.

