O deputado federal Aécio Neves, presidente nacional do PSDB, decidiu disputar uma cadeira no Senado por Minas Gerais nas eleições deste ano. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (28), em Belo Horizonte, e representa uma mudança em relação à posição adotada pelo tucano no início de agosto, quando havia informado que ficaria fora da corrida.
Aécio atribuiu a reconsideração às manifestações que recebeu nas últimas semanas de apoiadores e lideranças mineiras e afirmou que a candidatura também está relacionada à tentativa de reorganizar politicamente o centro, com a construção de um projeto nacional para os próximos anos.
“Eu acho que terei melhores condições de articular um projeto para 2030 ao centro, realista, um projeto que olhe o Brasil para o futuro, sem extremismos”, declarou.
A entrada do ex-governador na eleição ocorre depois das desistências de Marcelo Heringer, do PDT, e Gustavo Galassi, do PSDB, que formalizaram a retirada de suas candidaturas ao Senado junto à Justiça Eleitoral. A substituição pode ser realizada dentro do calendário previsto pela legislação eleitoral.
Aécio passa a integrar a coligação Cuidar de Minas, formada pelo PDT, que tem Alexandre Kalil como candidato ao governo estadual, e pela Federação PSDB-Cidadania. Kalil já havia sinalizado publicamente que desejava contar com o tucano na chapa caso ele decidisse disputar o Senado.
Um dos temas que Aécio pretende colocar no centro da campanha é a situação financeira de Minas Gerais, especialmente a dívida do estado com a União, calculada em aproximadamente R$ 180 bilhões. O deputado sustenta que o Senado poderá oferecer uma posição política mais adequada para negociar uma solução com o próximo presidente da República.
“Quero ser o senador de Minas Gerais para, qualquer que seja o presidente da República, estar em condições de negociar com ele”, afirmou.
Ex-governador de Minas, ex-senador e candidato à Presidência da República em 2014, quando chegou ao segundo turno e foi derrotado por Dilma Rousseff, Aécio retorna agora a uma eleição majoritária depois de anos concentrado nas disputas para a Câmara dos Deputados.
A candidatura também recoloca um dos principais nomes da história recente do PSDB em uma posição de maior exposição nacional e, ao mesmo tempo, reforça a estratégia tucana de tentar reconstruir um espaço político de centro em meio à polarização que domina a corrida presidencial.

