Foto: Reprodução

O Rio precisa de Benedita da Silva no Senado

Conheci Benedita da Silva para além da moldura inevitável da política, daquela sucessão de cargos, eleições, fotografias oficiais e discursos que, com o passar dos anos, acaba transformando pessoas em biografias prontas, e talvez por isso minha relação com seu nome tenha se construído num lugar muito mais íntimo, também pela amizade que mantenho com Antônio Pitanga, seu companheiro, cuja presença generosa me aproximou de uma mulher que o Brasil conhece há décadas, mas que dificilmente cabe inteira na personagem pública.

Sua história já foi contada muitas vezes, da origem popular à Constituinte, do Senado ao governo do Rio, do ministério à Câmara dos Deputados, porém sempre me pareceu que o essencial estava menos na enumeração dessas passagens do que no sentido profundo de uma mulher negra atravessar estruturas que durante quase toda a nossa história foram desenhadas para outros sobrenomes, outras origens, outros rostos.

Talvez seja justamente aí que Benedita permaneça tão singular para mim, nessa espécie de fidelidade à própria memória que não precisa ser anunciada o tempo inteiro, porque aparece no jeito de falar, na maneira de olhar para o outro, na relação com sua origem e na consciência de que chegar muito longe jamais deveria significar esquecer de onde se partiu.

A política costuma produzir intimidades instantâneas em época eleitoral, amizades repentinas, entusiasmos que começam numa convenção e desaparecem depois da apuração, e minha escolha passa longe disso, pois nasceu antes do calendário, antes da candidatura e antes da necessidade de transformar qualquer relação humana em peça de campanha.

Por isso, ao pensar no Senado pelo Rio de Janeiro, meu pensamento chega naturalmente a Benedita, sem esforço de retórica e a necessidade de fabricar grandeza e também longe da ingenuidade de imaginar qualquer trajetória pública livre de críticas ou contradições, mas com a serenidade de quem conhece alguma coisa para além do palanque e sabe que certas histórias ganham outra dimensão quando observadas de perto.

É desse lugar que faço minha indicação.

Benedita da Silva. Senadora: 131

Fabrício Correia é escritor, historiador e analista político com especialização em Acessibilidade, Diversidade e Inclusão. Responsável pela equipe do portal Conversa de Bastidores, escreve regularmente neste espaço.

 

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