Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans preso temporariamente na Operação Vectura Corrupta, construiu praticamente toda a vida profissional dentro do sistema de transporte público de São Paulo e chegou ao principal posto da companhia depois de quase três décadas de carreira técnica, passando pelas administrações de Bruno Covas e Ricardo Nunes antes de deixar o comando da empresa em fevereiro de 2025.
Formado em Ciências da Computação e pós-graduado em Planejamento de Mobilidade Urbana, Oliveira ingressou em 1991, por seleção pública, na antiga Companhia Municipal de Transportes Coletivos, a CMTC, antecessora da SPTrans, e desenvolveu sua carreira principalmente nas áreas de planejamento e programação operacional do sistema de ônibus.
Depois de ocupar funções de gerência, tornou-se diretor de Planejamento de Transporte em janeiro de 2017 e, três anos mais tarde, recebeu de Bruno Covas a indicação que o levou pela primeira vez à presidência da SPTrans, assumindo em 20 de janeiro de 2020 no lugar de Paulo Cézar Shingai, com aprovação do Conselho de Administração da companhia.
A primeira passagem durou até dezembro daquele ano, quando o próprio Covas escolheu Oliveira para assumir a Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes a partir de 2021, deixando a presidência da SPTrans para Valdemar Gomes de Melo. Em agosto de 2021, após uma reorganização administrativa, Oliveira passou a exercer o cargo de secretário executivo de Transporte e Mobilidade Urbana.
Em 22 de fevereiro de 2022, já durante a gestão de Ricardo Nunes, Levi retornou à presidência da SPTrans e permaneceu no posto por quase três anos, atravessando um período em que ganharam força as investigações sobre empresas do sistema municipal de ônibus. Documentos oficiais mostram que ele continuava no comando em dezembro de 2024 e participava de reuniões com Nunes e integrantes do primeiro escalão da Prefeitura ainda em 29 de janeiro de 2025.
Sua segunda passagem terminou no início de fevereiro de 2025, quando foi substituído por Victor Hugo Borges, delegado licenciado da Polícia Civil, encerrando uma trajetória de aproximadamente 34 anos no sistema municipal de transportes e duas passagens pela presidência da SPTrans.
Agora, Oliveira aparece entre os investigados da Operação Vectura Corrupta, que apura a possível infiltração do PCC no transporte coletivo paulistano. Segundo a acusação apresentada nesta fase da investigação, ele teria mantido encontros periódicos com José Daniel Satilite, o “Alemão”, apontado como intermediário de interesses relacionados a empresas de ônibus. O Ministério Público sustenta que essas reuniões estariam relacionadas a interesses da facção no setor, especialmente depois da Operação Fim da Linha, de 2024. As afirmações integram uma investigação em andamento e não representam condenação.
Após a prisão, Ricardo Nunes afirmou ter recebido a notícia com surpresa e declarou que, durante o período em que trabalhou com Oliveira, não tinha conhecimento de suspeitas de envolvimento do ex-presidente da SPTrans com atividades criminosas, destacando ainda sua longa carreira na companhia.

