Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro mostram que o empresário ligado ao Banco Master se referia ao senador Otto Alencar (PSD-BA) como “conselheiro” e “comandante”. Os registros integram o material analisado pelos investigadores sobre os contatos mantidos pelo banqueiro com integrantes do meio político.
Segundo a PF, o advogado Ciro Soares aparece nas conversas como interlocutor entre Vorcaro e Otto, informando quando estava com o senador, encaminhando fotografias e transmitindo recados.
Em maio de 2024, Soares avisou que Otto pretendia falar com Vorcaro. Após uma tentativa de ligação, o empresário respondeu chamando o parlamentar de “comandante” e “conselheiro”. Outros diálogos registrados entre 2024 e 2025 mencionam novos contatos e possíveis encontros em Brasília e Salvador.
Em dezembro de 2024, Soares afirmou que Otto teria feito um “movimento grande” em favor de Vorcaro, sem detalhar nas mensagens a que iniciativa se referia. Os registros também citam a possibilidade de participação do senador em um evento realizado em Londres com patrocínio do Banco Master.
Otto Alencar não é apontado como investigado. Inicialmente, afirmou que nunca havia se encontrado nem mantido contato com Vorcaro. Depois da divulgação das mensagens, disse ter se lembrado de duas ou três conversas telefônicas com o banqueiro feitas pelo aparelho de Ciro Soares.
Segundo o senador, Vorcaro buscava apoio para elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos. Otto afirma que não apoiou a proposta, que não avançou no Congresso.
Ciro Soares, também não apontado como investigado, negou ter organizado encontros presenciais entre os dois. A defesa de Vorcaro afirma que o empresário permanece disponível para prestar esclarecimentos.

