Foto: Reprodução

Arcebispo de Aparecida rejeita uso da religião como ferramenta eleitoral

O arcebispo de Aparecida, dom Mário Antônio da Silva, fez um apelo para que a fé não seja utilizada como instrumento de disputa política ou estratégia para conquistar votos durante o período eleitoral. A manifestação ocorreu durante homilia celebrada no Santuário Nacional de Aparecida, no último domingo (20).

Ao tratar das eleições, dom Mário destacou que cabe ao próprio eleitor decidir seu voto e que a Igreja não deve assumir o papel de indicar candidatos. Segundo ele, a contribuição religiosa está na formação da consciência e na reflexão sobre valores que orientam a participação cidadã.

O arcebispo recomendou que os fiéis examinem propostas, compromissos e possíveis consequências das políticas defendidas pelos candidatos, considerando sobretudo o bem comum, a atenção às populações mais vulneráveis e a responsabilidade ambiental.

Durante a celebração, também condenou a propagação de informações falsas e manifestações de ódio motivadas por divergências políticas. Para ilustrar a importância da autonomia da consciência, recorreu à figura bíblica de Daniel, ressaltando que partidos, candidatos ou movimentos não devem ocupar o lugar reservado à decisão individual.

Dom Mário dedicou parte da homilia ao próprio Santuário Nacional, destino que recebe pessoas das mais diversas posições políticas. Acolher a todos, explicou, não significa permitir que o espaço religioso seja apropriado por campanhas eleitorais.

“Esta casa não é palanque eleitoral”, afirmou, ao lembrar que candidatos e eleitores são recebidos no templo independentemente de suas escolhas.

O arcebispo ainda defendeu que divergências nas urnas não sejam transformadas em rupturas pessoais. “Podemos pensar diferente e continuar sendo irmãos e irmãs”, declarou.

 

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