Foto: Reprodução

Fraude com pó de brita leva PF a esquema milionário e a elo com Alexandre Pires

Uma carga que deveria conter cassiterita, minério utilizado na produção de estanho, mas chegou ao exterior com areia e pó de brita, tornou-se peça importante de uma investigação da Polícia Federal sobre um esquema envolvendo minério supostamente retirado de forma ilegal da Terra Indígena Yanomami, em Roraima.

Segundo a investigação, uma empresa suíça comprava cassiterita brasileira por intermédio de uma companhia norte-americana. Parte do produto seria fornecida por uma mineradora autorizada a atuar em Itaituba, no Pará. A suspeita é de que documentos dessa operação fossem utilizados para dar aparência legal ao minério proveniente de Roraima.

O esquema teria enfrentado dificuldades depois da apreensão de mais de 100 toneladas de cassiterita pela PF, em 2022. Sem produto suficiente para cumprir contratos, integrantes do grupo teriam preparado cargas de areia e pó de brita em Manaus, apresentadas como minério. Laudos falsificados indicariam concentração de até 75% de estanho.

A compradora estrangeira descobriu a fraude após receber a mercadoria e procurou as autoridades. O prejuízo estimado chega a US$ 48 milhões.

Ao seguir o caminho do dinheiro, a PF identificou operações internacionais e cerca de R$ 31 milhões em movimentações cruzadas relacionadas aos investigados. Parte dos recursos teria passado por contas vinculadas ao cantor Alexandre Pires e à sua produtora.

Também são investigados empresários ligados às negociações. Nesta etapa, a Justiça autorizou buscas e apreensões e medidas de bloqueio de bens e valores, sem determinar prisões.

A defesa de Alexandre Pires nega qualquer participação do artista em garimpo ou exploração de minério em território indígena e afirma que suas relações com pessoas investigadas estavam vinculadas à atividade profissional e à realização de shows.

WhatsApp
Facebook
Twitter