Fábio Felix (PSOL) chegará à Câmara dos Deputados com a maior votação para o cargo no Distrito Federal. Encerrada a apuração deste domingo (4), o assistente social e professor de 40 anos recebeu 224.224 votos e transformou em dimensão federal uma trajetória política construída principalmente na defesa dos direitos humanos e na atuação junto a grupos vulneráveis.
A mudança da Câmara Legislativa para o Congresso amplia o alcance de um trabalho iniciado muito antes do primeiro mandato. Servidor do sistema socioeducativo, Felix atuou com adolescentes em unidades de internação e com crianças em situação de rua e presidiu o Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente do Distrito Federal.
O resultado também carrega significado político: uma agenda frequentemente apresentada como restrita a determinados segmentos mostrou capacidade de mobilizar um eleitorado amplo e conduzir seu representante à maior votação para deputado federal no DF.
Da universidade ao serviço público
Nascido em Brasília em 20 de dezembro de 1985, Fábio Felix Silveira iniciou sua militância no movimento estudantil. Na Universidade de Brasília, coordenou o Diretório Central dos Estudantes, participou da ocupação da reitoria em 2008 e esteve envolvido na construção do PSOL no Distrito Federal.
Formado em Serviço Social, trabalhou diretamente com crianças e adolescentes expostos à violência, inclusive no antigo Centro de Atendimento Juvenil Especializado (Caje) e em unidades de internação.
Em 2018, foi eleito deputado distrital com 10.955 votos. Quatro anos depois, alcançou 51.792 votos e estabeleceu, à época, o recorde de votação para a Câmara Legislativa. Agora, com 224.224 votos, inicia uma nova etapa no Congresso Nacional.
Representatividade transformada em política pública
Primeiro homem assumidamente gay eleito para a Câmara Legislativa do Distrito Federal, Felix colocou os direitos da população LGBTQIA+ entre os eixos de seus mandatos. Emendas apresentadas por ele contribuíram para a implantação das três primeiras casas públicas de acolhimento destinadas a pessoas LGBTQIA+ em situação de vulnerabilidade no DF.
A iniciativa deu dimensão concreta à representatividade: diante de pessoas expulsas de casa ou submetidas à violência em razão da orientação sexual ou identidade de gênero, a presença política foi convertida em estrutura pública de proteção.
Em 2025, Felix e Wellington Luiz apresentaram proposta para garantir às famílias homoafetivas de servidores da Câmara Legislativa direitos equivalentes às licenças maternidade e paternidade. Felix também propôs a criação de um conselho distrital dedicado à promoção dos direitos da população LGBTQIA+.
Combate à violência contra mulheres
Outro eixo importante de sua passagem pela Câmara Legislativa foi a relatoria da CPI do Feminicídio. A investigação resultou, em 2021, em mais de 80 recomendações ao poder público e apontou problemas como a falta de integração entre os serviços de proteção às mulheres e a subnotificação da violência.
Entre os desdobramentos desse trabalho surgiu o programa “Órfãos do Feminicídio: Atenção e Proteção”, originado de proposta de Felix e destinado a crianças e adolescentes que perderam as mães vítimas desse tipo de crime.
Durante a pandemia, o parlamentar também presidiu a Comissão Especial da Vacina, responsável por acompanhar a imunização e fiscalizar a atuação do governo distrital.
Do 8 de Janeiro ao Congresso
Na CPI dos Atos Antidemocráticos, Felix apresentou voto em separado por discordar das conclusões do relatório oficial e, em novembro de 2023, defendeu o indiciamento de Jair Bolsonaro, Mauro Cid, Augusto Heleno e Anderson Torres, entre outros investigados.
Ao comentar o resultado deste domingo, classificou sua eleição como uma “vitória histórica” e associou a votação ao apoio recebido por uma atuação independente, voltada aos trabalhadores e aos grupos vulneráveis.

