O ex-presidente Jair Bolsonaro deverá manter participação política em uma eventual administração de Flávio Bolsonaro (PL), caso o senador vença o segundo turno da eleição presidencial contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A afirmação foi feita pelo presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, em entrevista à GloboNews. Segundo o dirigente, Bolsonaro não ocuparia ministério nem teria função oficial, mas seria ouvido pelo filho nas discussões sobre os rumos do governo.
A declaração reforça a expectativa de que Jair Bolsonaro continue exercendo influência sobre o núcleo político do PL mesmo sem ocupar cargo público. Valdemar também atribuiu ao ex-presidente parte importante do desempenho eleitoral de Flávio no primeiro turno.
A eventual participação de Bolsonaro, porém, esbarra em sua situação judicial. O ex-presidente foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e três meses de prisão no processo relacionado à tentativa de golpe de Estado. Valdemar não explicou como essa influência seria exercida diante das restrições impostas pela Justiça.
O tema também amplia o debate sobre eventuais medidas que poderiam atingir a situação jurídica do ex-presidente, como indulto ou comutação de pena. Valdemar, entretanto, não afirmou que Flávio adotaria iniciativas para beneficiar o pai.
O presidente do PL ainda procurou reduzir a expectativa de confronto entre o novo Senado e o Supremo. Apesar do fortalecimento da legenda no Congresso, afirmou que eventuais pedidos de impeachment de ministros da Corte dependerão dos senadores.
Flávio Bolsonaro e Lula disputam o segundo turno em 25 de outubro, e a declaração de Valdemar coloca o papel político de Jair Bolsonaro entre os temas da reta final da campanha.

