O El Niño continua ganhando intensidade no Oceano Pacífico e poderá alcançar níveis históricos nos próximos meses, segundo atualização divulgada nesta quinta-feira (8) pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), que acompanha o aquecimento das águas equatoriais e considera elevada a possibilidade de o fenômeno se tornar um dos mais intensos desde o início dos registros, em 1950.
Confirmado em junho, o episódio climático ainda não atingiu a categoria muito forte na média trimestral utilizada para sua classificação, embora a temperatura da superfície do mar na região conhecida como Niño-3.4 já esteja 2,1°C acima do padrão histórico, condição que indica a continuidade do aquecimento e aumenta a preocupação com seus efeitos sobre diferentes regiões do planeta.
De acordo com a agência americana, a probabilidade de o fenômeno alcançar intensidade muito forte em novembro chega a 100%, enquanto a possibilidade de superar o recorde histórico de 2,4°C registrado em 1982 e 1983 é estimada em 54% até novembro e 83% até dezembro.
No Brasil, os efeitos já aparecem de maneira desigual, com chuvas volumosas e inundações no Sul, especialmente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, enquanto municípios do Norte e do Nordeste enfrentam agravamento da estiagem, dificuldades no abastecimento de água e prejuízos às atividades agrícolas.
Dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) mostram que o número de municípios brasileiros em situação de seca extrema passou de quatro para 24 em apenas um mês, enquanto aqueles classificados em seca severa aumentaram de 153 para 197, com agravamento principalmente no Amazonas, Bahia, Amapá, Alagoas e Sergipe.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) também prevê temperaturas acima da média em praticamente todo o território brasileiro e volumes elevados de chuva no Sul, em parte do Sudeste e no leste do Nordeste durante o último trimestre do ano, cenário que exige atenção das autoridades diante da possibilidade de novos episódios de enchentes e deslizamentos.
Um levantamento da Confederação Nacional de Municípios aponta que eventos climáticos extremos atingiram 6,9 milhões de pessoas em 1.035 cidades brasileiras entre julho e setembro, provocando 25 mortes e prejuízos econômicos estimados em R$ 12,6 bilhões, especialmente na agricultura, na pecuária e na infraestrutura urbana.
Os especialistas ressaltam, entretanto, que a intensidade do El Niño não determina automaticamente a gravidade dos desastres, uma vez que os impactos dependem também das condições regionais, da vulnerabilidade das cidades e da capacidade de prevenção.
As projeções indicam que o fenômeno poderá permanecer entre forte e muito forte até o primeiro trimestre de 2027, prolongando um período de instabilidade climática que deverá exigir acompanhamento permanente dos governos e dos órgãos de Defesa Civil.
Informações da NOAA, Cemaden e Inmet, divulgadas em outubro de 2026.

