Uma peça de propaganda eleitoral divulgada pelo Partido Liberal (PL) provocou controvérsia ao apresentar o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro em uma composição visual semelhante à utilizada pelo regime fascista de Benito Mussolini, na Itália, durante a década de 1930.
Publicada na quinta-feira (8), em um canal oficial do partido no WhatsApp, a montagem apresentava o rosto do senador em preto e branco, acompanhado da inscrição “Tropa do Flávio”, em referência visual à fachada do Palazzo Braschi, edifício de Roma utilizado como sede da Federação Fascista italiana.
Em 1934, o prédio recebeu uma gigantesca imagem de Mussolini durante um plebiscito realizado sob o controle da ditadura, quando a população italiana não dispunha de alternativas políticas efetivas ao partido fascista.
A propaganda brasileira buscava atrair participantes para um grupo de mobilização digital em apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro, que disputa o segundo turno presidencial contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo o UOL, o canal oficial do PL reunia aproximadamente 22 mil participantes, enquanto o grupo “A Tropa do Flávio” ultrapassava 250 mil integrantes.
Após comparações entre a montagem e a propaganda histórica do fascismo, a publicação foi retirada pelos administradores, embora registros continuassem circulando nas redes sociais.
O episódio reacende a discussão sobre referências autoritárias na comunicação política brasileira, especialmente pelo significado histórico de símbolos associados à supressão das liberdades democráticas.
Até a publicação da reportagem original, o PL não havia respondido aos questionamentos do UOL, permanecendo sem esclarecimento se a referência ao fascismo foi uma escolha deliberada dos responsáveis pela peça.

