Foto: Reportagem

Lula e Flávio Bolsonaro encerram campanha nas ruas e fazem últimos apelos antes da decisão

A disputa pela Presidência chegou ao último dia de campanha com mobilizações em três capitais do Sudeste. Neste sábado (24), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) reuniram apoiadores, acionaram aliados e fizeram os últimos pedidos de voto antes do segundo turno, marcado para domingo (25). O petista passou pelo Rio de Janeiro e por São Paulo; o candidato do PL esteve em Belo Horizonte e na capital fluminense.

Os roteiros concentraram a presença dos presidenciáveis em uma região de peso decisivo na eleição. São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro somam aproximadamente 63,3 milhões de eleitores, cerca de 40% do eleitorado brasileiro, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral citados pela Gazeta do Povo. Além da dimensão numérica, os atos permitiram às campanhas exibir suas alianças e estimular a participação dos apoiadores na votação. 

Em Copacabana, Lula elevou o tom contra o adversário e apresentou a eleição como uma decisão sobre democracia e soberania nacional. O presidente afirmou que Flávio seria o concorrente de “mais baixo nível” que já enfrentou. Ao lado de Janja, também dirigiu um apelo às mulheres e destacou políticas públicas voltadas ao eleitorado feminino. O calor intenso provocou mal-estar entre participantes e exigiu atendimento de equipes de socorro. 

Na Avenida Paulista, onde encerrou a campanha, Lula voltou a atacar o senador e declarou confiança na vitória. O presidente afirmou ter buscado eleitores indecisos, pessoas que não compareceram ao primeiro turno e cidadãos que anularam o voto. Geraldo Alckmin, Fernando Haddad, Simone Tebet e Janja acompanharam a mobilização. A concentração dificultou a passagem do veículo do candidato, que pediu calma ao público após participantes passarem mal. 

Flávio começou o sábado em Belo Horizonte, participando de uma motociata que seguiu da Praça do Papa até a Praça da Liberdade. A mobilização reuniu lideranças de sua campanha, entre elas Nikolas Ferreira, Romeu Zema e Tarcísio de Freitas. Apesar da concentração de apoiadores, o senador deixou o ato sem fazer discurso, antes de seguir para o Rio de Janeiro. 

Na capital fluminense, o encerramento ocorreu na Praça do Ó, na Barra da Tijuca, como parte das atividades do “Bloco do 22”. Flávio agradeceu o empenho dos apoiadores, manifestou confiança no resultado das urnas e rezou um Pai-Nosso com o público. Em comunicado, classificou a campanha como uma “jornada histórica” e ressaltou ter recebido do pai, Jair Bolsonaro, a indicação para disputar a Presidência. 

A movimentação nas ruas ocorreu poucas horas depois do último debate entre os candidatos, realizado pela TV Globo na sexta-feira (23). O encontro abordou salário mínimo, segurança pública, saúde e incentivos ao agronegócio, mas também foi marcado por confrontos pessoais. Flávio pediu desculpas por usar a expressão “nove dedos” em referência à amputação sofrida por Lula em um acidente de trabalho. 

Outro episódio que atravessou o debate e repercutiu na reta final foi a morte de Ana Clara, menina de cinco anos atingida por um tiro de fuzil em 2021. Lula questionou a atuação de Flávio na defesa do policial acusado pelo disparo. O senador afirmou acreditar que o agente não foi responsável e, ao se dirigir à mãe da criança, Cristiane Gomes da Silva, confundiu seu nome com o da filha. Neste sábado, faixas sobre o caso apareceram em São Paulo, no Rio e em Salvador. 

As manifestações encerraram uma campanha que chegou à véspera da votação sob forte competição. A pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (22) apontava 50% dos votos válidos para cada candidato. Com esse cenário, os últimos compromissos combinaram demonstrações de apoio nas ruas e esforços para alcançar quem ainda não havia definido o voto. No domingo, essa mobilização será submetida à decisão do eleitorado. 

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