A decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de estender até as 19h a votação do segundo turno das eleições presidenciais provocou uma série de desencontros entre tribunais eleitorais, mesários e eleitores neste domingo (25). Em diferentes cidades paulistas, profissionais convocados para trabalhar nas seções afirmaram que receberam ordens para encerrar as atividades às 17h e foram dispensados antes de tomar conhecimento da prorrogação.
Os relatos foram reunidos pelo UOL, que ouviu mesários de São Paulo e de municípios da região metropolitana. Em alguns locais, as urnas já estavam desligadas, os portões fechados e as equipes liberadas quando a informação sobre a decisão judicial começou a circular.
Na Universidade Presbiteriana Mackenzie, na capital paulista, o mesário Lucas Auraz contou que uma mensagem enviada pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), às 16h55, orientava o encerramento da votação no horário habitual. Segundo ele, integrantes da equipe chegaram a questionar a determinação, pois já tinham conhecimento da decisão do STF, mas a presidente da seção deu continuidade aos procedimentos de fechamento.
Outra mesária, que preferiu não se identificar, afirmou que terminou o expediente sem receber qualquer orientação sobre a mudança. Ela relatou que somente soube da prorrogação quando já estava em casa. Durante o trajeto, encontrou colegas de outro local de votação que também haviam sido dispensados.
Em São Bernardo do Campo, a mesária Marina Nicácio contou que os portões foram fechados pontualmente às 17h. Depois de verificar que não havia mais eleitores dentro da escola, a equipe recebeu autorização para encerrar os trabalhos.
A situação também foi registrada em Santo André. Uma mulher relatou ao UOL que sua mãe, convocada para atuar como mesária, recebeu uma mensagem às 17h02 informando que a votação deveria terminar normalmente. Segundo o relato, a comunicação ainda classificava como falsa a notícia sobre a ampliação do horário.
Em Jandira e Osasco, familiares de mesários afirmaram que as equipes concluíram os procedimentos de encerramento, guardaram os equipamentos e deixaram os locais de votação.
A determinação de Zanin ocorreu após reclamações sobre dificuldades de deslocamento de eleitores, especialmente em municípios afetados pela redução da frota de ônibus e por problemas provocados pelas chuvas. As campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) apresentaram pedidos de ampliação do horário à Justiça Eleitoral, embora com abrangências e justificativas diferentes.
O problema surgiu porque a decisão foi divulgada quando parte das seções já havia encerrado a votação. Com os equipamentos fechados e os procedimentos de apuração iniciados, não havia possibilidade de simplesmente retomar o recebimento dos votos.
Diante dos relatos, Zanin publicou um esclarecimento estabelecendo que a prorrogação seria aplicada somente às seções cujas urnas permanecessem abertas. Os votos registrados nos equipamentos já encerrados deveriam ser contabilizados normalmente.
A diferença entre os horários efetivamente praticados nas seções gerou reclamações de eleitores que chegaram depois das 17h e encontraram os portões fechados. Também expôs a dificuldade de transmitir uma determinação judicial de alcance nacional quando milhares de equipes já executavam os procedimentos de encerramento.

