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Lula conquista quarto mandato após virada histórica sobre Flávio Bolsonaro

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República neste domingo, 25 de outubro, após derrotar o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições de 2026. A vitória representa um acontecimento sem precedentes na história eleitoral brasileira desde a redemocratização: pela primeira vez, um candidato que terminou o primeiro turno na segunda colocação conseguiu reverter o resultado na votação decisiva.

Com 98,27% das seções apuradas, Lula alcançava 51,75% dos votos válidos, equivalentes a 63.049.525 votos, enquanto Flávio Bolsonaro registrava 48,25%, com 58.795.080 votos. A vantagem superior a 4,2 milhões de votos tornou matematicamente impossível uma mudança no resultado, conforme os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgados às 21h10.

O resultado contrariou a configuração estabelecida em 4 de outubro, quando Flávio Bolsonaro venceu o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, diante dos 45,16% conquistados pelo petista. A diferença de 1,87 ponto percentual alimentou as expectativas de vitória da oposição e obrigou o governo a reformular sua estratégia eleitoral nas três semanas seguintes.

A reação de Lula ganhou força com a intensificação da campanha nas ruas, a mobilização de movimentos sociais e o crescimento da participação de apoiadores nas plataformas digitais. Manifestações em diferentes cidades brasileiras marcaram a reta final de uma disputa caracterizada pela polarização política e pela elevada rejeição aos dois candidatos.

A eleição também foi marcada por acontecimentos excepcionais neste domingo. Diante de reclamações sobre dificuldades no transporte de eleitores e problemas provocados pelas chuvas, o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, determinou a prorrogação da votação até as 19h em todo o território nacional.

A medida alterou o andamento da apuração e acrescentou tensão a uma eleição que já mobilizava intensamente o país.

Aos 80 anos, Lula amplia uma trajetória política iniciada no movimento sindical do ABC paulista, durante a ditadura militar. Fundador do Partido dos Trabalhadores, disputou a Presidência pela primeira vez em 1989 e sofreu três derrotas consecutivas antes de conquistar o Palácio do Planalto em 2002.

Reeleito em 2006, deixou o governo em 2010 e retornou ao poder após vencer Jair Bolsonaro em 2022. Agora, com a quarta vitória presidencial, estabelece uma marca inédita na política brasileira.

O novo mandato terá início em 5 de janeiro de 2027 e se estenderá até 2030. Entre os principais desafios estarão a condução da economia, o equilíbrio das contas públicas, a manutenção dos programas sociais e a reconstrução do diálogo político em um Congresso marcado por diferentes forças partidárias.

A vitória também impõe uma derrota significativa ao bolsonarismo, que chegou ao segundo turno fortalecido pelo desempenho de Flávio Bolsonaro na primeira etapa da eleição, mas não conseguiu transformar a vantagem inicial em vitória nacional.

O resultado deste domingo encerra uma das disputas presidenciais mais intensas da história recente do Brasil. Ao conquistar seu quarto mandato, Lula não apenas prolonga sua permanência como personagem central da política nacional, mas altera uma tendência que havia prevalecido em todas as eleições presidenciais decididas em segundo turno desde 1989: a vitória de quem chegava à etapa final na liderança.

 

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