O governo de Cuba considera concreta a possibilidade de uma intervenção militar dos Estados Unidos em seu território. O alerta foi feito pelo embaixador cubano no Brasil, Victor Manuel Cairo Palomo, em entrevista à Agência Brasil divulgada nesta sexta-feira (30). Segundo o diplomata, as autoridades de Havana acompanham com preocupação as declarações do presidente Donald Trump e o endurecimento das medidas norte-americanas contra a ilha.
A tensão entre os dois países aumentou desde o retorno de Trump à Casa Branca, em janeiro de 2025. Washington ampliou as sanções econômicas e adotou restrições ao fornecimento de petróleo, comprometendo o abastecimento energético cubano. O país chegou a permanecer três meses sem receber carregamentos do combustível, agravando dificuldades econômicas que também atingem o turismo e os serviços.
As declarações recentes do presidente norte-americano intensificaram a preocupação do governo cubano. Em março, Trump mencionou a possibilidade de assumir o controle da ilha. Em outubro, voltou a abordar o futuro de Cuba, relacionando a questão aos desdobramentos da guerra contra o Irã. Apesar disso, também admitiu a possibilidade de uma solução negociada, sem emprego de forças militares.
O governo dos Estados Unidos sustenta que Cuba representa uma ameaça à segurança nacional norte-americana, argumento rejeitado pelo embaixador. Palomo considera desproporcional atribuir esse risco a um país de pequenas dimensões, submetido há décadas a restrições comerciais e financeiras impostas por Washington.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, também tem defendido iniciativas destinadas a promover mudanças políticas em Cuba, atualmente governada pelo presidente Miguel Díaz-Canel. Para Havana, essas manifestações reforçam a percepção de que os Estados Unidos pretendem interferir diretamente na condução política do país.
Palomo advertiu que uma eventual operação militar teria consequências além das fronteiras cubanas, com possíveis repercussões sobre a segurança regional e sobre a comunidade de origem cubana residente nos Estados Unidos. O diplomata afirmou que a população da ilha está sendo preparada para resistir a uma agressão estrangeira.
A escalada diplomática ocorre em meio a novas sanções norte-americanas contra empresas vinculadas a setores tecnológicos cubanos. Neste mês, a Justiça dos Estados Unidos também determinou a prisão do ex-presidente Raúl Castro.
O representante de Havana reconheceu as dificuldades internas enfrentadas pelo país, mas defendeu que qualquer transformação política deve resultar de decisões tomadas pelos próprios cubanos, sem imposição externa. O governo cubano busca mobilizar a comunidade internacional contra uma possível ação militar, enquanto permanece indefinido se as ameaças de Washington resultarão em uma intervenção armada.

