Foto: Reprodução

Prefeito e vice de cidade alagoana são denunciados por racismo após encenação com homem negro seguindo capim

Uma festa em comemoração ao Dia do Servidor Público, realizada em Boca da Mata, no interior de Alagoas, provocou denúncias de racismo e discriminação política após a divulgação de imagens de uma encenação na qual um homem negro, usando camiseta de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), aparece seguindo outro participante que lhe oferece capim.

O evento aconteceu na segunda-feira (26) e contou com a presença do prefeito Bruno Feijó (PP), do vice-prefeito Sérgio Salvador (União Brasil) e de integrantes de um grupo político identificado como Direita de BM. Fotografias divulgadas nas redes sociais também mostram os dois gestores municipais com os rostos pintados de preto.

Na encenação, um homem branco com o rosto escurecido segura o capim diante de um participante negro que carrega uma enxada. A representação motivou uma denúncia do Instituto do Negro de Alagoas (Ineg), que apontou possíveis manifestações de racismo e humilhação por motivação política.

A entidade encaminhou representação ao Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL), solicitando a apuração dos acontecimentos. Entre os questionamentos está a possível utilização de blackface, prática historicamente associada à reprodução de estereótipos racistas por meio da pintura do rosto.

O instituto também denunciou a suposta demissão de três servidores municipais que teriam manifestado apoio a Lula. A organização pede que seja investigada a possibilidade de perseguição política e de utilização da administração pública para retaliar trabalhadores em razão de suas posições eleitorais.

Em resposta às acusações, o prefeito e o vice negaram qualquer intenção discriminatória. Segundo os gestores, a pintura dos rostos fazia referência ao mela-mela, tradição carnavalesca de Boca da Mata na qual os participantes costumam cobrir o corpo com melaço. Eles também rejeitaram a existência de perseguição política e atribuíram os desligamentos de funcionários a decisões administrativas.

A denúncia foi apresentada na quinta-feira (29) à Ouvidoria da Igualdade Racial do TRE-AL e encaminhada para avaliação das autoridades competentes, incluindo órgãos do Ministério Público.

Bruno Feijó é sobrinho do ex-prefeito Gustavo Feijó, atual diretor de seleções da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), e possui ligação política com o senador Arthur Lira (PP), de quem foi segundo suplente.

 

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