O Partido Liberal oficializou nesta quarta-feira (4) a candidatura do senador Rogério Marinho (RN) à presidência do Senado para o biênio 2027-2028. O anúncio ocorreu durante reunião da bancada em Brasília e representa uma tentativa da oposição de conquistar uma posição estratégica no Congresso Nacional após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Marinho, que coordenou a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, terá como principal adversário o atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), interessado em permanecer no cargo. A senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura, também trabalha para viabilizar sua candidatura, situação que pode dividir os votos da direita e beneficiar Alcolumbre.
O PL iniciará a próxima legislatura com 29 dos 81 senadores, tornando-se a maior bancada da Casa. Com o apoio dos três parlamentares do Novo, Marinho parte de uma base de 32 votos e precisará ampliar as alianças para alcançar os 41 necessários à eleição. O senador afirma contar com mais de 40 apoios, embora a votação secreta impeça confirmar antecipadamente esse resultado.
Durante o lançamento, Marinho criticou o governo federal e defendeu maior independência do Legislativo em relação ao Executivo e ao Judiciário. Também reiterou apoio à discussão de uma anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023 e afirmou que não deixará de analisar eventuais pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal.
A possibilidade de duas candidaturas competitivas no campo conservador preocupa dirigentes partidários. Marinho declarou manter entendimento com Tereza Cristina para que, até janeiro, os grupos possam convergir em torno do nome com melhores condições de derrotar Alcolumbre. A senadora, entretanto, continua buscando apoios, especialmente entre parlamentares do Centrão, representantes do agronegócio e integrantes da bancada feminina.
Alcolumbre, por sua vez, aposta na articulação construída com partidos de diferentes orientações políticas. Sua candidatura conta com apoio de setores próximos ao governo Lula e de lideranças do MDB, PSD e União Brasil, além de negociações com integrantes da oposição.
A eleição está marcada para 1º de fevereiro de 2027. O resultado terá consequências diretas para a relação entre os Poderes, uma vez que o presidente do Senado também comanda o Congresso Nacional, influencia a tramitação de projetos e possui competência para decidir sobre o andamento de pedidos de impeachment contra ministros do STF.
