Foto: Reprodução

Academia Joseense de Letras abre o ano acadêmico com homenagem a Amara Moira e debate sobre ChatGPT em construções literárias

A Academia Joseense de Letras em assembleia geral ordinária, realizada na Biblioteca Pública Cassiano Ricardo, em São José dos Campos, deu início às atividades da instituição abrindo seu ano acadêmico na data de 2 de março.

Presidida pelo acadêmico Fabrício Correia, escritor, jornalista e professor universitário e CEO da Kocmoc New Future Entertainment, responsável pela agência de notícias Conversa de Bastidores, a instituição homenageou em sua primeira reunião de 2023 as mulheres em condição de patrono na AJL, Cora Coralina, Clarice Lispector, Francisca Júlia, Hilda Hilst, Madre Maria Teresa de Jesus Eucarístico e Ruth Rocha. O presidente declamou poemas de Clarice Lispector na abertura e encerramento da reunião.

Em homenagem ao mês da mulher, os acadêmicos, por sugestão da Diretoria, aprovaram como Acadêmica Honorária Amara Moira.

Travesti, feminista, doutora em teoria e crítica literária pela Unicamp (com tese sobre o “Ulysses” de James Joyce) e militante dos direitos de pessoas LGBTQIA+ e de trabalhadoras sexuais. Amara integra a Associação Mulheres Guerreiras, o Grupo Identidade e o Coletivo TransTornar, todos de Campinas, sua cidade natal, e o Coletivo A Revolta da Lâmpada, de São Paulo. Tem publicado artigos sobre gênero e literatura, é autora do livro autobiográfico “E se eu fosse put”a (2016, republicado em 2018 como: “E se eu fosse puRa”), do capítulo também autobiográfico “Destino Amargo”, presente em “Vidas Trans – A coragem de existir” (2017), e do monólogo escrito em pajubá, a língua das travestis, “Neca”, incluído na antologia “A Resistência dos Vagalumes” (2019). Sua produção textual figura na bibliografia de cursos de pós e de graduação em universidades do país todo e do exterior. Atualmente reside em São Paulo capital, é colunista da Mídia Ninja e professora de literatura no cursinho online pré-vestibular Descomplica.

Para o presidente da Academia, Fabrício Correia a homenagem para Amara Moira no mês em homenagem a mulher é de grande significado na luta pelos direitos humanos.

“Celebrar a diversidade, o talento, o respeito aos direitos humanos e a coexistência. Amara Moira é uma mulher extraordinária, dedicada ao combate das desigualdades por meio da cultura e educação. Nossa Academia a recebe de braços abertos.”

Durante o encontro os acadêmicos interagiram com o ChatGPT na construção de haicais, um gênero de poesia de forma fixa. ChatGPT (Generative Pre-trained Transformer) é um protótipo de um chatbot com inteligência artificial desenvolvido pela OpenAI e especializado em diálogo.

Para Val Saab, acadêmica eleita, a possibilidade de interação com inteligência artificial na literatura precisa de cautela e cuidado no uso excessivo.

“Vejo com cautela o futuro das produções literárias e
precisamos ter muito cuidado com uso excessivo do ChatGPT. A literatura parte da imaginação do escritor e não pode ser deixada de lado.”, finalizou.

Interagiram com a IA os acadêmicos Fabrício Correia, Enrique Gianna, Val Saab é Sandra Guimarães.

Leia alguns haicais desenvolvidos com a interação:

Eclipse, sugestão de Sandra Guimarães e construção ChatGPT

O sol se esconde
E a lua em sua passagem
Traz sombra a paisagem

Passagem (sugestão de Enrique Gianna com o tema morte, construção ChatGPT e interação de texto Fabrício Correia)

Morte, sombra fria,
Partida inevitável,
Fim de uma das jornadas.

Doramor (sugestão de Val Saab sobre amor e de Fabrício Correia acrescentando dor e construção ChatGPT)

Amor doído aflige,
Coração em desatino,
Perdido em paixão.

A próxima reunião da Academia Joseense de Letras ocorrerá no dia 6 de abril, às 18h30, na Biblioteca Pública Cassiano Ricardo.

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