Foto: Airbus

Airbus aposenta BelugaST e transforma gigante dos ares em centro de ciência no Reino Unido

A Airbus retirou de operação um de seus cargueiros mais emblemáticos, o BelugaST, avião usado por décadas no transporte de grandes peças entre fábricas espalhadas pela Europa e a linha final de montagem na França. Além de integrar uma frota crucial para a logística industrial da empresa, a aeronave sempre chamou atenção pelo desenho fora do padrão: uma fuselagem com “testa” elevada e corcunda pronunciada, que amplia o volume interno e faz o modelo parecer desproporcional quando comparado a jatos convencionais.

O avião aposentado é o BelugaST número 5, que completou seu último voo após cerca de três décadas em serviço. O destino foi Broughton, no Reino Unido, onde ficam instalações da fabricante. Ali, segundo o plano informado, a aeronave deixará de ser apenas peça de engenharia e passará a cumprir outra função: será convertida em um centro de apoio a atividades de STEM — sigla em inglês para Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática. A proposta é que escolas e grupos comunitários possam acessar o espaço e conhecer, de perto, aspectos do universo da aviação.

Por que a Airbus precisou de um cargueiro “diferente”

A própria existência do BelugaST está ligada a um problema logístico concreto: com o crescimento da produção de aeronaves, a Airbus precisou acelerar a entrega de componentes fabricados em diferentes países europeus até a montagem final na França. Transportar as peças por terra significava lidar com mais risco de atrasos e perdas — um tipo de incerteza que, numa cadeia industrial, se espalha como dominó.

Na época, a alternativa mais eficiente era apostar no transporte aéreo, sobretudo para itens volumosos. Como ainda não havia um avião próprio para isso, a solução veio de fora: a Airbus recorreu ao Super Guppy, cargueiro criado a partir de modelos da Boeing e desenhado especificamente para levar cargas grandes — inclusive componentes espaciais, como peças usadas em projetos da Nasa. Essa experiência abriu caminho para a lógica que, mais tarde, consolidaria o papel dos Beluga na rotina industrial do grupo.

Agora, com a aposentadoria de uma dessas aeronaves, a Airbus tenta dar ao gigante uma segunda vida: menos linha de produção, mais sala de aula — e um convite público para que a aviação deixe de ser apenas espetáculo distante e se torne experiência concreta, por dentro, para novas gerações.

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