O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, não pretende dar andamento, neste momento, aos novos pedidos de impeachment apresentados contra o ministro Alexandre de Moraes, mesmo depois da divulgação de mensagens atribuídas ao magistrado em conversas relacionadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, numa decisão que mantém a crise dentro dos limites do Supremo Tribunal Federal antes de qualquer movimento político mais grave no Congresso.
Segundo a Folha de S.Paulo, Alcolumbre confidenciou a aliados que considera necessário “baixar a poeira” e aguardar uma manifestação do próprio STF sobre o material revelado pela Polícia Federal, posição que, na prática, impede por enquanto que a pressão contra Moraes avance pela única instituição constitucionalmente responsável por processar e julgar ministros do Supremo em crimes de responsabilidade.
A temperatura aumentou nesta terça-feira (1º), quando o ministro André Mendonça pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, a convocação de uma sessão do plenário para discutir as mensagens apontadas pela PF, iniciativa que poderá colocar os onze ministros diante de um assunto que deixou de circular apenas nos bastidores da investigação e passou a atingir diretamente a imagem institucional da Corte.
Fachin deve aguardar primeiro o posicionamento da Procuradoria-Geral da República antes de decidir sobre a realização da sessão, enquanto Mendonça defende que o plenário examine a questão independentemente da manifestação da PGR, num movimento que demonstra a existência de pressão interna para que o Supremo dê uma resposta coletiva ao episódio.
O caso ganhou dimensão ainda maior porque as revelações envolvendo Vorcaro alcançaram diferentes autoridades e chegaram também ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, cujo nome aparece em mensagens analisadas pela PF, inclusive em interlocuções atribuídas a ele por intermédio do advogado Ciro Soares, enquanto seu filho, Pedro Gonet, teria sido incluído entre os convidados de uma viagem a Londres com despesas previstas pelo Banco Master, evento que acabou não sendo realizado.
No caso específico de Moraes, a eventual abertura de investigação não significa afastamento automático, muito menos condenação, e as mensagens reveladas precisam ser submetidas ao contraditório e examinadas dentro do contexto completo da investigação, mas a iniciativa de Mendonça aumenta a pressão para que o Supremo enfrente institucionalmente o assunto.

