Foto: Reprodução

Anvisa identifica bactéria em mais de 100 lotes da Ypê e amplia pressão sobre fabricante

A crise envolvendo a marca Ypê ganhou novos desdobramentos após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária confirmar a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em mais de 100 lotes de produtos acabados fabricados pela empresa.

A constatação surgiu durante uma inspeção conjunta realizada no fim de abril na unidade da Química Amparo, em Amparo, interior de São Paulo. A operação reuniu técnicos da Anvisa, do Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo e da Vigilância Sanitária Municipal.

Segundo a agência reguladora, a fiscalização encontrou 76 irregularidades, incluindo falhas consideradas graves nos sistemas de controle microbiológico, produção, garantia de qualidade e manejo de embalagens. O relatório aponta risco sanitário relacionado à possível contaminação dos produtos.

A bactéria identificada é comum em ambientes úmidos, água e solo. Em pessoas saudáveis, o risco costuma ser baixo, mas ela pode provocar infecções importantes em pacientes imunossuprimidos, transplantados, pessoas em tratamento oncológico, idosos fragilizados e indivíduos com queimaduras ou feridas abertas.

A inspeção embasou a resolução publicada pela Anvisa no início de maio, determinando a suspensão da fabricação e o recolhimento de lotes de detergentes, lava-roupas líquidos e desinfetantes da marca com numeração final 1.

A fabricante afirmou que os lotes identificados já estavam bloqueados internamente e não seriam comercializados. Em nota, a empresa declarou que apresentou os casos à fiscalização justamente para comprovar a eficácia de seu sistema interno de monitoramento e quarentena.

Mesmo assim, a repercussão ampliou a pressão sobre a companhia. Dados divulgados pela Anvisa mostram que milhares de consumidores procuraram orientação após a publicação da resolução, enquanto denúncias apontaram dificuldades no atendimento ao consumidor e até comercialização de produtos durante o período de restrição.

O recurso apresentado pela Química Amparo contra a decisão da agência será analisado pela diretoria colegiada da Anvisa nesta sexta-feira. Até lá, o órgão mantém a recomendação para que consumidores não utilizem os produtos atingidos pela medida sanitária.

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